O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que o plano unilateral israelense de desocupação da Faixa de Gaza não prevê a criação de um Estado palestino.
"No plano unilateral não há Estado palestino. Essa situação pode continuar por muitos anos", disse o primeiro-ministro.
Em entrevistas à imprensa israelense, Sharon confirmou que Israel vai desocupar 17 assentamentos judeus na Faixa de Gaza e detalhou o plano de evacuação da região.
No entanto, ele evitou dar garantias sobre a segurança do líder palestino Yasser Arafat.
"Aquele que mata judeus ou determina a morte de judeus e israelenses é um homem marcado", disse o primeiro-ministro.
"Não vou garantir a integridade física dele."
'Fim dos sonhos'
O primeiro-ministro disse ainda ao jornal Maariv que o seu plano vai "acabar com os sonhos dos palestinos".
"Quando você isola áreas e comunidades na Cisjordânia, você acaba com vários dos sonhos deles", comentou Sharon sobre o muro que Israel está construindo.
"O meu plano é duro com os palestinos. Um golpe mortal", disse Sharon.
Ele nunca havia feito esses comentários em público antes, segundo o correspondente da BBC em Israel, mas as declarações confirmam o que a maioria das pessoas já imaginava.
Cisjordânia
Arafat, por sua vez, elogiou a intenção de desocupar os territórios da Faixa de Gaza, mas lembrou que "Sharon também tem que sair da Cisjordânia".
As entrevistas do primeiro-ministro israelense foram dadas por ocasião da Páscoa Judaica, que começou a ser comemorada nesta segunda-feira.
Entre os detalhes do plano de saída israelense estão.
• Os palestinos não deverão ter o controle de nenhum porto.
• Os israelenses mantêm o controle de uma estrada ao sul da Faixa de Gaza, na fronteira com o Egito.
• As casas de mais de 7 mil colonos serão entregues a uma organização internacional e não destruídas.
Sharon afirmou ainda que a administração americana queria mostras da desocupação da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.
Por isso, Sharon também anunciou a desativação de quatro assentamentos no norte da Cisjordânia.
No entando, não existem planos amplos para que israel saia da Cisjordânia.