Ministros da França e da Alemanha rejeitaram nesta sexta-feira o pedido do secretário de Estado americano, Colin Powell, para uma maior participação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Iraque.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, disse que a aliança já está operando no limite de sua capacidade. "A Otan já faz muito com a estabilização dos Bálcãs e o processo no Afeganistão", disse Fischer, "além de termos que combater o terrorismo."
O novo ministro das Relações Exteriores da França, Michel Barnier, disse que o assunto não estava em discussão. "Acreditamos que a Otan não seja o lugar certo onde uma decisão deva ser discutida ou tomada sobre a situação no Iraque depois de 1º de julho", disse Barnier à agência de notícias Reuters.
Horas antes, em Bruxelas, Colin Powell havia pedido que a Otan assumisse um papel maior no Iraque. O secretário de Estado americano disse que a aliança deveria considerar "um novo papel coletivo, depois que o Iraque recuperar a sua soberania" em 1º de julho. Powell sugeriu que a Otan poderia assumir um setor do país ou treinar forças iraquianas.
A Otan insiste que a ONU aprove uma nova resolução como precondição para o envio de soldados ao Iraque.
Novas medidas
Em meio ao debate sobre o Iraque, a Otan aprovou nesta sexta-feira uma série de medidas para combater o terrorismo, incluindo compartilhar mais informações obtidas pelos serviços secretos.
A decisão – no dia em que a aliança oficialmente recebeu sete novos membros – ocorre três semanas após os atentados de Madri, que mataram 191 pessoas.
A declaração assinada pelos membros da Otan inclui:
• compartilhamento de mais informações obtidas pelos serviços secretos;
• reforço de segurança para os Jogos Olímpicos de Atenas e a Eurocopa em Portugal;
• coordenação do equipamento da Otan para lidar com ataques nucleares, químicos e biológicos;
• aumento do apoio no caso de um membro da Otan sofrer um atentado.
Na manhã desta sexta-feira, a Otan também formalizou a entrada de mais sete países ex-comunistas na organização. A aliança passa agora a ser integrada por 26 países.