A Casa Branca decidiu autorizar nesta terça-feira que a Conselheira Nacional de Segurança, Condoleezza Rice, testemunhe na comissão que investiga os atentados de 11 de setembro de 2001 em Washington e Nova York.
O presidente americano, George W. Bush., disse que o depoimento de Rice irá ajudar o povo do país a ter uma “visão completa” dos acontecimentos nos dias que antecederam os ataques, em que cerca de 3 mil pessoas morreram.
Em uma carta enviada à comissão, o conselheiro da Casa Branca Alberto Gonzales disse que o presidente Bush “reconhece as circunstâncias verdadeiramente únicas e extraordinárias” do trabalho de investigação.
Gonzales não estabeleceu uma data específica para o depoimento de Rice, mas disse que “nós podemos marcar uma hora assim que possível”.
Depoimento-chave
Até agora, representantes do governo vinham mantendo a posição de que a Conselheira de Segurança só poderia dar seu depoimento a portas fechadas, ao contrário de outras autoridades.
Já falara publicamente à comissão, entre outros, o secretário de Estado, Colin Powell, e o de Defesa, Donald Rumsfeld.
De acordo com o correspondente da BBC em Washington Justin Webb, a mudança é uma reviravolta significativa por parte da Casa Branca, que estaria concentrada neste momento, acima de tudo, na campanha de reeleição de Bush.
O depoimento de Condoleezza Rice é considerado chave para a comissão, que está analisando como o governo agiu para proteger o país de extremistas antes de 11 de setembro, e os rumos tomados pelas autoridades depois do ocorrido.
Em uma nota, os integrantes da comissão, membros dos partidos Republicano e do Democrata, disseram que a decisão do governo de permitir o depoimento de Rice foi uma “contribuição significativa” do presidente Bush ao trabalho de investigação.
Vexame
O próprio presidente e o seu vice, Dick Cheney, devem prestar depoimento à comissão, mas a portas fechadas.
Na semana passada, Richard Clark, ex-assessor antiterrorismo da Casa Branca, disse que o governo Bush subestimou o perigo representando por extremistas por causa de sua obsessão com o Iraque.
Clarke disse que o presidente o pressionou a encontrar uma ligação entre o governo de Saddam Hussein e os atentados de 11 de setembro, nos dias que se seguiram aos ataques.
Segundo analistas, as acusações têm o potencial de terem consequências negativas sobre o governo Bush e a tentativa de reeleição do presidente.