O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, demitiu o coordenador de segurança da organização, Tun Myat.
A decisão foi tomada depois de um relatório revelar as falhas na proteção do quartel-general da ONU em Bagdá que permitiram um ataque, em agosto do ano passado.
No atentado morreram o chefe da missão da ONU no país, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, e 21 outros funcionários.
Por causa dos ataques, a ONU tirou seu pessoal do Iraque e passou a ajudar o país a partir do exterior.
Negligência
A vice de Annan, Louise Frechette, teria oferecido sua renúncia por causa das falhas, mas o secretário-geral não teria aceitado.
O relatório indica que Vieira de Mello e outros funcionários da ONU subestimaram o perigo que a ONU corria de ser alvo te ataques no Iraque.
“Eles estavam vivendo na ilusão de que a ONU não seria atacada”, disse o porta-voz de Kofi Annan, Fred Eckhard.
O documento vai além e é particularmente crítico quando à conduta de dois outros funcionários da ONU – o jordaniano Paul Aghadjanian e Pa Momodou Sinyan, de Gâmbia -, acusando-os de “não cumprimento de suas funções” e de “letargia à beira da negligência completa”.
Os dois funcionários já foram indiciados e vão ser submetidos a medidas disciplinares.
Jornalistas
Por sua vez, os Estados Unidos reconheceram responsabilidade pela morte de dois jornalistas iraquianos no país.
Os jornalistas, que trabalhavam para a rede de TV árabe Al-Arabiya, morreram neste mês em Bagdá ao serem atacados por soldados americanos.
Um porta-voz das forças armadas informou que o veículo onde estavam os dois jornalistas levou tiros quando os soldados tentavam atingir a outro carro, que estava à frente do qual viajavam os jornalistas.
Esse outro carro teria passado por um bloqueio armado pelos militares no local sem autorização dos americanos.
O porta-voz lamentou as mortes do repórter e do cinegrafista da Al-Arabiya, chamando-as de acidentais.
Até agora, as forças armadas americanas haviam confirmado, no caso, que apenas um iraquiano havia sido morto ao se recusar a parar no bloqueio.
Fallujah
Ainda nesta segunda-feira, mais um soldado americano morreu no Iraque, durante um ataque contra o comboio em que ele viajava a oeste de Bagdá.
O soldado foi morto depois da explosão de uma bomba colocada ao lado da estrada, perto da cidade de Fallujah.
Fallujah é considerada um dos centros de resistência contra a presença da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no país.
Na sexta-feira, a cidade foi palco de uma intensa troca de tiros entre soldados americanos e rebeldes, que começou quando os americanos entraram em Fallujah para realizar buscas em residências.
Um fuzileiro naval americano e cinco iraquianos morreram no confronto.