O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, vai oferecer treinamento militar do seu país ao Exército da Líbia durante seu polêmico encontro, nesta quinta-feira, com o presidente Muammar Gaddafi.
A visita à Líbia é mais um passo na retomada das relações diplomáticas entre a Líbia, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha após a decisão dos líbios, em dezembro, de desmantelar todos os seus programas de armas químicas, biológicas e nucleares.
Blair defendeu o encontro, dizendo que estava oferecendo "nossa mão em parceria" a Estados que desistem do terrorismo e proíbem armas de destruição em massa.
"Isso não significa esquecer a dor do passado, mas reconhecer que é preciso seguir em frente", afirmou Blair.
Ousadia
O analista político da BBC Guto Harri comentou que a reunião entre os dois líderes é "uma das manobras mais ousadas" do premiê britânico.
Para Harri, Blair vai "apertar as mãos com um homem que foi visto por décadas como uma encarnação do terrorismo".
Esta é a primeira visita de um primeiro-ministro da Grã-Bretanha a Tripoli desde a independência da Líbia, em 1951.
O ex-embaixador britânico na Líbia Oliver Miles tem dúvidas sobre o encontro.
"Não quero dizer que acho isso um erro porque acredito que o principal ponto é que estamos certos em buscar essa reconciliação. O método e o tempo ficam abertos à discussão", comentou.
O Partido Conservador descreveu a visita como altamente questionável e afirmou que a Grã-Bretanha não deveria esquecer que, no passado, a Líbia apoiou o terrorismo.