Líderes dos países que formam a União Européia começaram a definir nesta quinta-feira, em Bruxelas, novas medidas para combater o terrorismo na região.
Entre as medidas já acertadas está a ampliação dos controles de fronteira e a criação de um novo cargo, apelidado de Sr. Terrorismo - um coordenador de ações antiterroristas para toda a Europa. Gijs de Vries, ex-ministro do Interior da Holanda, será o primeiro a assumir o cargo.
A ampliação de compartilhamento de informações de serviços secretos também faz parte das medidas acordadas entre os líderes europeus.
"Todos compreendemos que os ataques à Espanha não foram apenas contra a Espanha, mas contra todos nós", disse o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, na abertura da conferência de dois dias.
Economia
Os temas econômicos, que seriam o centro das discussões, devem ser deixados de lado durante a conferência.
Alguns dos chefes de Estado também estão sendo pressionados para implementar medidas já acordadas depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. Medidas como a criação de mandados de prisão válidos em toda a Europa, o corte de financiamento para grupos extremistas e o monitoramento de telefones celulares.
O responsável pela política externa na UE, Javier Solana, disse que a comunidade vem tentando cumprir os compromissos assumidos, mas ressaltou ser necessário "assumir novos compromissos" para tornar a luta contra o terrorismo na Europa mais eficiente.
As novas medidas de combate ao terrorismo foram duramente criticadas por um grupo de defesa de direitos humanos.
"Disfarçadas de luta contra o terrorismo, as medidas planejadas vão levar à espionagem de toda a população", afirmou a Statewatch, que tem sua sede em Londres, mas monitora direitos humanos em toda a UE.
Constituição
Embora o encontro esteja centrado em segurança, estão ocorrendo discussões também em torno da nova Constituição européia - e espera-se avanço nessa área.
Ironicamente, as explosões em Madri removeram um dos grandes obstáculos para que a UE chegue a um acordo sobre a sua Constituição.
Ao derrubarem o partido conservador do primeiro-ministro Jose Maria Aznar, os eleitores espanhóis puniram o Partido Popular por ter responsabilizado o ETA logo depois do ataque e removeram do governo um dos maiores adversários da Constituição, ao lado do presidente polonês.
As negociações para a aprovação de uma Constituição começaram há mais de dois anos com o objetivo de reformar a UE e prepará-la para a maior expansão do bloco europeu em meio século de história.
Em dezembro, Espanha e Polônia se recusaram a abrir mão da relação de forças que dá à Espanha e daria à Polônia poder de voto parecido com o dos pesos-pesados da UE, como Alemanha e Grã-Bretanha.
O novo primeiro-ministro espanhol, apesar de não ter ainda formado um governo e não participar da conferência, já deu sinais que está pronto a negociar um compromisso, assim como a Polônia.