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Da cor da celebridade

Enfim, e dessa vez para valer, o primeiro e verdadeiro sinal de volta à normalidade no Iraque.

Nada a ver com um pau saindo no Parlamento ou a liberação do bingo para todo o território nacional.

Trata-se, evidentemente, da volta às telas da televisão de todo o país das telenovelas.

É mais fácil para nós, brasileiros, imaginar tanques estrangeiros policiando Copacabana do que o país inteiro destituído de sua ração diária de telenovela.

Estamos à beira do 40º aniversário da revolução que já foi carinhosamente apelidada por seus patrocinadores e admiradores de “A Redentora”.

'Telenovela realista'

Com ela, tivemos também, além do milagre econômico e da conquista da Copa do Mundo, em 1970 – Médici era “pé quente”, diziam –, o que se convencionou chamar de a telenovela realista.

Deixamos para lá as contas mentirosas e fantasias escapistas de Glória Magadan, como “O sheik de Agadir” e “A gata de vison”, em troca das contas mentirosas e fantasias escapistas de Bráulio Pedroso, como “Beto Rockefeller”, e, agora adultos, nessa estamos empacados e nos proclamamos realizadores e platéia da ”melhor televisão do mundo” (sempre em maiúsculas e seguido de várias exclamações).

O Iraque deve ter aprendido alguma coisa com as nossas exportações telenovelísticas, de que tanto nos orgulhamos.

Na televisão, quando não dava Saddam, era telenovela e mais telenovela. E tome o equivalente em árabe de “pôxa, cara, você é superlegal e eu sou paradona em você” etc e as eternas ascensões sociais a que o mundo – cristão, sunita ou xiita – está sujeito.

Mexerico

Já começaram as filmagens da terna história de um jovem casal planejando seu casamento e enfrentando a má vontade dos pais de suas respectivas famílias, classe média evidentemente.

Que também há disso no Iraque ou, no mínimo, em telenovela iraquiana.

Não interessa quando a “coalizão” (risos) vai abandonar o país. O importante é saber a data de estréia da telenovela.

Adianto logo um mexerico: uma das futuras sogras vai morrer de atentado à bomba. Mais detalhes em futuras edições desta coluna.