O prefeito Bloomberg estudou em boas escolas e fala um inglês muito melhor do que o presidente Bush que também estudou em boas escolas mas tinha apelido de suflê na faculdade porque era meio fofo e vazio lá em cima.
Bloomberg tem cabeça de homem de negócios. Ainda não aprendeu o politiquês nem o jogo de cintura dos políticos.
Em fevereiro, logo depois da posse, o índice de aprovação dele estava em 65%. Em julho do ano passado ele caiu mais fundo do que qualquer outro prefeito nas últimas décadas: apenas 31% de aprovação.
Numa eleição contra Fernando Ferrer, um dos prováveis candidatos democratas, Bloomberg perderia pela colossal margem percentual de 69% a 15%.
Quando ele tomou posse na prefeitura em 2002 ainda era possível sentir o cheiro da destruição das torres. Algumas das principais indústrias de Nova York, finanças e publicidade, estavam em coma, o mercado imobiliário paralisado, moradores e empresas fugiam da cidade e a previsão do déficit era de US$ 4 bilhões.
A receita de Bloomberg foi amarga: subiu impostos, demitiu, cortou gastos, bateu de frente com os sindicatos e, na semana passada, confrontou a burocracia das escolas públicas, uma das mais entranhadas e poderosas da cidade.
Bloomberg acabou com a promoção social. Alunos do terceiro ano que não souberem ler e escrever serão reprovados. Cerca de 15 mil crianças talvez tenham de repetir o ano.
O prefeito continua entre os líderes dos políticos mais frios e menos eloqüentes da historia de Nova York mas a cidade melhorou.
O déficit foi eliminado, o crime continua em queda, o blackout virou folclore, as nevadas e o frio brutais deste inverno não pararam a cidade, moradores e empresas pararam de fugir, os imóveis valorizaram e os turistas voltaram.
Hoje, Bloomberg, um administrador antipático eficiente, perderia a eleição. Até novembro de 2005 pode aprender a ser político.