Os primeiros enterros das vítimas dos atentados de quinta-feira, em Madri, vão ser realizados na manhã deste sábado.
Na sexta-feira, cerca de oito milhões de pessoas foram às ruas na Espanha em protesto contra os atentados, que deixaram 200 mortos.
Representantes do governo afirmam que o grupo separatista basco ETA ainda é o principal suspeito, apesar de a mídia basca ter divulgado uma nota do grupo negando a autoria dos atentados.
Também especula-se que a rede Al-Qaeda seja responsável.
Eleições
Um comunicado foi enviado a um jornal árabe com sede em Londres, afirmando que a Al-Qaeda estava por trás dos atentados e alguns analistas árabes em Londres disseram acreditar que a nota era genuína.
Mas, com as eleições marcadas para este domingo na Espanha, a maior parte dos políticos acredita que o ETA é responsável.
"Há alguns fatos que me fazem acreditar que o ETA" é responsável, disse Mariano Rajoy, que deverá suceder o atual primeiro-ministro, Jose Maria Aznar, caso o Partido Popular vença as eleições.
Em uma disputa acirrada, o Partido Popular parece ter uma liderança apertada sobre os Socialistas da oposição, segundo as pesquisas de opinião.
Tanto Aznar como Rajoy defendem o combate ao ETA e são contra a independência do País Basco, proposta pelo grupo.
O ETA já cometeu atentados contra o sistema ferroviário espanhol e dois suspeitos de pertencerem ao grupo foram presos no mês passado, dirigindo um caminhão carregado de explosivos em direção a Madri.
Mas há especulações de que extremistas islâmicos possam ter conexões com os atentados.
Um furgão roubado foi encontrado perto da linha do trem com vários detonadores, disse o ministro do Interior, Angel Acebes.
Uma mensagem supostamente enviada pelo grupo Brigadas de Abu Hafs al-Masri para um jornal árabe com sede em Londres afirma que o grupo atacou "os aliados dos Estados Unidos nesta guerra contra o Islã" em nome da Al Qaeda.
Mas segundo Acebes, "nenhum dos serviços de inteligência... forneceu informação confiável de que este atentado teria sido provocado por uma organização extremista islâmica".
Nação de luto
![]() A nação ainda está chocada |
Os primeiros funerais das vítimas dos atentados estão sendo realizados na manhã deste sábado, na cidade de Alcala de Henares, a cidade ao leste de Madri de onde partiram os trens em que foram colocadas as bombas.
Na sexta-feira à noite, cerca de duas milhões de pessoas foram às ruas, apesar da chuva, em protesto contra o terrorismo.
Membros da família real espanhola - entre eles o príncipe regente Felipe e suas irmãs, as princesas Elena e Cristina - se juntaram ao primeiro-ministro espanhol e outros líderes europeus durante as manifestações.
Uma avenida de seis pistas que atravessa Madri foi fechada para que os manifestantes marchassem até a estação de Atocha - onde foi registrado o pior dos atentados.
Alguns cantaram: "Assassinos" e "O povo unido jamais será vencido".
Há informações de que as vigílias e protestos em outras cidades espanholas, inclusive no País Basco, chegaram a reunir seis milhões de pessoas.