A promotoria do Peru busca pena de 30 anos de prisão para o ex-presidente Alberto Fujimori, auto-exilado no Japão.
Fujimori é acusado de ter ordenado o massacre de 25 pessoas pelo grupo paramilitar La Colina, em 1991 e 1992.
O ex-presidente, que fugiu do Peru em novembro do ano 2000 depois de ter sido derrubado do poder em meio a um escândalo de corrupção, nega ter cometido qualquer crime e alega ser vítima de perseguição política.
O governo peruano tenta trazê-lo de volta ao país para ser julgado, mas Fujimori tem cidadania japonesa, já que seus pais nasceram lá, e o Japão não tem tratado de extradição com o Peru.
Assasinato, sequestro e danos
Alberto Fujimori é procurado pela Justiça peruana por acusações que incluem assassinatos, sequestros e o causamento de ferimentos graves.
A recomendação de sentença feita pela promotoria, com 86 páginas, deverá ser anexada ao pedido de extradição, que já conta com mais de 700 páginas.
Em fevereiro, o ministro do Exterior japonês descartou a extradição imediata.
"A instância básica do governo japonês é que... não podemos entregar alguém que tenha cidadania japonesa a um país com o qual não temos tratado de extradição criminal, de acordo com as leis atuais", disse o porta-voz Hatsuhisa Takashima.
Mas depois, representantes do governo japonês deram esperança a uma delegação peruana, afirmando que o Japão ainda não tomou uma decisão final.
"Não planejamos discutir nossa conclusão se a extradição vai, ou não, ocorrer", disse um porta-voz.
As acusações de assassinato contra o ex-presidente são relacionadas a dois massacres durante sua guerra contra o grupo rebelde esquerdista Sendero Luminoso.
Fujimori é acusado de ter autorizado que esquadrões da morte assassinassem 15 suspeitos de pertencer à guerrilha em 1991 e nove estudantes e um professor, no ano seguinte.
Ele também é acusado de corrupção durante o tempo em que esteve no poder, entre os anos de 1990 e 2000.
Fujimori rejeita todas as acusações e afirma que está planejando seu retorno à vida política no Peru, concorrendo à presidência já em 2006.