O receio de que haja irregularidades na eleição presidencial russa deste domingo foi capaz de unir três oposicionistas de tendências políticas distintas.
A liberal Irina Khakamada, o comunista Nikolai Kharitonov e o nacionalista Sergei Glazyev se associaram para acompanhar o andamento da votação e a contagem de votos.
A associação, batizada como Projeto Unido Nosso Voto, contará com uma central, que será aberta no domingo e que receberá telefonemas de pessoas que queiram relatar supostas irregularidades.
De acordo com Marina Litvinovich, porta-voz de Irina Khakamada, através de um esforço conjunto os três candidatos conseguirão controlar a votação em todo o país.
Contagem paralela
Alexei Rogjin, representante do comunista Kharitonov, disse que a iniciativa permitirá uma contagem de votos paralela à do governo.
‘‘Os comitês dos três candidatos pretendem também estudar todos os possíveis métodos de falsificação de votos’’, afirmou Rogjin.
Não é a primeira vez que os três oposicionistas unem esforços.
Durante a votação para o Parlamento russo, em dezembro do ano passado, eles já haviam firmado um compromisso de não realizarem campanhas negativas um contra o outro.
Tanto naquela ocasião como na votação presidencial deste domingo, os partidos dos três oposicionistas enfrentavam o franco favoritismo do grupo de Putin.
Na votação para a Duma, o Parlamento russo, o partido Rússia Unida, que apóia Putin, tornou-se majoritário.
Segundo o principal instituto de pesquisas russo, a estimativa de voto em Putin (70%) é muito superior à dos três oposicionistas.
O comunista Kharitonov e o nacionalista Glazyev contam com 5% das intenções de voto; a liberal Khakamada tem índice de 5%.