O colunista do jornal britânico Financial Times Martin Wolf afirma que o próximo diretor-gerente do FMI precisa reconsiderar as opções feitas pelo ex-diretor Horst Köhler.
Wolf diz que na gestão de Köhler o Fundo se tornou muito dependente de poucos devedores, citando nominalmente o Brasil, Turquia e Argentina – juntos, os três países teriam tomado 72% dos créditos do Fundo em 2003.
Wolf sustenta que a ameaça de nova moratória da Argentina mostrou que o FMI está "à mercê de seus maiores devedores".
O colunista também questiona a política do Fundo de emprestar a países pobres a fim de aliviar a pobreza, alegando que essa é uma função do Banco Mundial. "Se não se pode confiar no Banco Mundial para lidar com a pobreza de longo prazo, qual é afinal o sentido de (o banco) existir?"
Para o colunista, o Fundo não só não tem recursos suficientes para emprestar tanto, como esses empréstimos impedem que a instituição aja mais no que o articulista vê como a sua "razão de existência": o ajuste da balança global de pagamentos.
Argentina
O diário argentino Clarín diz na manchete: "Argentina pagou e evitou outro default".
Em editorial assinado por Eduardo van der Kooy, o jornal chama o acordo entre o país e o Fundo de "uma trégua" que não pode ser confundida com a paz definitiva.
O editorialista prevê uma nova batalha em setembro, quando o governo argentino deverá negociar a base do acordo assinado com o FMI no ano passado, ou seja, a meta de superávit primário, que "o organismo e os países poderosos" querem que seja superior à atual, de 3%.
O jornal espanhol El Pais destaca a operação que tornou a Telefónica a maior operadora de celulares da América Latina.
Em editorial intitulado "Golpe de Autoridade", o jornal diz que o negócio não só deverá ser positivo para a estratégia da companhia em todo o mundo, como prova que investir na América latina não é "um despropósito".
O diário sueco Dagens Nyheter defende que os trabalhadores dos dez países que vão entrar na União Européia em maio tenham os mesmos direitos trabalhistas que os suecos.
O jornal diz que impor restrições a essas pessoas, com medo de que elas migrem em massa, é como "bater a porta na cara dos novos membros no momento em que eles estão prestes a entrar" no bloco.
O The Times, de Londres, diz que o ministro da Defesa britânico, Geoff Hoon, escreveu uma carta ao primeiro-ministro Tony Blair reclamando dos planos de cortar US$ 2 bilhões no orçamento de Defesa.
Hoon teria argumentando que as reduções comprometeriam as atuais e futuras operações militares da Grã-Bretanha.
A informação é ilustrada com uma charge, que mostra um soldado de mãos vazias como se estivesse segurando um rifle , dizendo: "Pare, ou eu finjo que atiro".