O Irã acusou os Estados Unidos de "intimidarem" a Agência Internacional de Energia Atômica das Nações Unidas (AIEA) para que formule uma resolução censurando seu programa nuclear.
O ministro do Exterior do Irã, Kamal Kharrazi, advertiu que seu governo pode abandonar sua cooperação com a AIEA se a Europa não apresentar resistência aos Estados Unidos.
Kharrazi também insistiu que o Irã retomará a produção de material nuclear depois de resolver seu caso com a AIEA.
A AIEA realiza reunião em Viena, na Áustria, para decidir como lidar com o fracasso do Irã em revelar totalmente suas atividades nucleares.
Há notícia de que o esboço de resolução da AIEA compara o Irã à Líbia, dizendo que os dois países obtiveram equpamento nuclear "das mesmas fontes estrangeiras".
Mas o órgão elogiou a Líbia por acabar com seu programa de armas nucleares.
Líbia
A diretoria da agência, formada por representantes de 35 países, aprovou uma resolução "aplaudindo a decisão (da Líbia) no dia 19 de dezembro de 2003" de abandonar seu programa de armas de destruição em massa.
A Líbia, por sua vez, assinou um protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear permitindo inspeções repentinas a suas instalações nucleares.
Kharrazi disse, depois de uma reunião do gabinete iraniano em Teerã, que a analogia entre a Líbia e o Irã é "incorreta".
"A Líbia anunciou oficialmente que planejava ter armas nucleares e isso é uma violação do tratado, mas o Irã não está querendo armas nucleares e não violou o tratado", disse o ministro.
Os Estados Unidos acusaram o Irã de realizar um programa clandestino para desenvolver armas nucleares e desejam que o caso seja levado perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O Conselho de Segurança poderia impor sanções ao Irã.
A correspondente da BBC em Teerã, Miranda Eeles, disse que, no esboço, os Estados Unidos teriam concordado em amenizar suas críticas para conquistar o apoio da Europa para uma exigência de que o Irã forneça mais informações sobre seu programa nuclear.
O embaixador do Irã junto na AIEA, Pirooz Hosseini, disse que o esboço era "um ato de intimidação (americana) e de pressão sobre outros".
Kharrazi repreendeu Grã-Bretanha, França e Alemanha por apoiarem a minuta, que também elogia o Irã por sua cooperação, depois que indicaram que vão barrar uma resolução se os iranianos, em troca, prosseguirem com essa atitude.