Líderes religiosos xiitas resolveram as disputas que adiaram a assinatura da constituição interina, declarou um membro do Conselho que governa o Iraque.
Mowaffaq al-Rubaie fez o anúncio depois de falar, junto com outros membros do Conselho, com o aiatolá Ali al-Sistani, a maior autoridade da maioria xiita do país.
"As boas novas serão anunciadas em breve", disse Rubaie, que prometeu que a cerimônia acontece na segunda-feira.
A promulgação foi adiada na sexta-feira porque líderes xiitas fizeram objeções a alguns itens da constituição.
Não está claro se os xiitas recuaram ou concordaram com um novo rascunho, que deverá ser submetido aos outros integrantes do conselho na segunda-feira.
Legitimidade
As outras facções representadas no Conselho não se pronunciaram.
A constituição interina deve governar o Iraque durante o período de transição, antes das eleições.
O impasse, no entanto, reflete as divisões étnicas e religiosas que ainda precisam ser superadas, segundo a correspondente da BBC em Bagdá, Barbara Plett.
"Acreditamos que Sistani não quer provocar uma crise no país e sim facilitar o processo", disse Rubaie, após o encontro com o líder xiita.
O aiatolá vem repetindo que não deseja ver a constituição lidando com assuntos fundamentais, já que foi escrita por um corpo que não foi eleito.
Eleições diretas
Um dos pontos mais importantes que sofreu objeção de Sistani foi a cláusula que dá à minoria étnica curda o direito de veto a uma constituição permanente, que deve ser escrita após as eleições.
Outro ponto de conflito é a forma de presidência. A constituição previa um único presidente com dois vices.
Os xiitas exigem uma presidência de cinco pessoas, revezando-se entre três xiitas, um curdo e um sunita, refletindo a maioria da população e dando aos xiitas o controle do Iraque.
A constituição deve criar as bases para eleições diretas no país, que devem acontecer antes de janeiro de 2005.