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Circuncisão feminina terá pena de 14 anos na Grã-Bretanha

Os pais britânicos que levarem suas filhas ao exterior para realizar a circuncisão feminina poderão ser condenados a até 14 anos de prisão, de acordo com novas medidas que entrarão em vigor.

Integrantes de minorias étnicas da Grã-Bretanha costumam escapar da proibição da prática levando suas crianças para serem operadas em outros lugares.

A Lei sobre a Mutilação Genital Feminina tornará isso ilegal. "Nenhuma razão cultural, médica ou outra poderá jamais justificar uma prática que causa tanta dor e sofrimento", disse o ministro do Interior, David Blunkett.

Suas declarações foram feitas num centro de apoio a mulheres que sofreram a circuncisão, no noroeste de Londres.

Danos

"A mutilação genital feminina é uma prática que causa muitos danos e que já é corretamente ilegal neste país", afirmou o ministro.

"Independente da origem cultural, ela é completamente inaceitável e deve ser ilegal onde quer que aconteça."

A mutilação genital feminina é a remoção por meio de cirurgia – ou de formas violentas e rudimentares em alguns lugares – do clitóris e parte dos lábios da vagina, reduzindo as possibilidades de a mulher sentir prazer sexual.

Especialistas acreditam que 74 mil mulheres de origem africana residentes na Grã-Bretanha já tenham sido submetidas à prática.

Em geral, a circuncisão é realizada em garotas de entre 4 e 13 anos. Mas há casos em que é feita em bebês recém-nascidos ou em mulheres antes de casar.

As razões apresentadas por seus defensores são a tradição e costumes, obrigação religiosa, higiene e prevenção de promiscuidade.