O ex-primeiro-ministro britânico John Major pediu que seja tornada pública a análise feita pelo procurador-geral sobre a legalidade da guerra contra o Iraque.
O governo vem rejeitando pedidos de que o documento seja publicado.
Major disse que um resumo já foi divulgado e que não desculpas para que ele não seja revelado em detalhes.
Ele disse à BBC que mais especulações apenas prejudicariam a posição do primeiro-ministro e afirmou que "o veneno tem que ser retirado do sistema".
Mudança
Downing Street se recusou a comentar reportagens publicadas em jornais britânicos segundo as quais o procurador-geral mudou sua análise pouco antes de a guerra começar.
De acordo com as edições de domingo dos jornais The Observer e The Independent, militares estariam preocupados com a possibilidade de as tropas britânicas serem processadas por lutarem ilegalmente.
Os militares teriam pedido ao procurador-geral uma declaração clara de que a invasão era legal.
Major disse no programa Breakfast with Frost que é do interesse do primeiro-ministro Tony Blair que a análise de Lord Goldsmith seja divulgada.
"Não vejo qualquer razão lógica para que o documento não seja publicado. Isso está envenenando toda a atmosfera política", disse Major.
No mesmo programa, o ex-ministro do Exterior, Robin Cook - que renunciou por causa do conflito contra o Iraque - disse que Tony Blair não teria se decidido pela guerra se não acreditasse que ela é justificada pelas leis internacionais.
Mas Cook disse que a opinião do procurador-geral baseou-se na necessidade de tirar do presidente do Iraque, Saddam Hussein, as armas de destruição em massa.
O ex-ministro afirmou que há uma convenção proibindo a publicação da análise do procurador-geral, mas sugeriu que ele dê uma palestra explicando a justificativa para a ida à guerra.
Downing Street invocou a mesma convenção para manter em segredo o relatório.