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Prêmios dos prêmios

As escolas de samba já sabem qual delas saiu vencedora este ano. O Oscar está aí para todo mundo ver e tomar vinho branco doce e morno.

Na semana que passou, aqui no Reino Unido houve farta distribuição de prêmios. O equivalente ao sindicato dos atores elegeu entre si os melhores do teatro. A Real Sociedade de Televisão premiou os melhores em várias categorias.

Só em fevereiro, que eu me lembre, teve mais umas cinco premiações, inclusive a da Bafta, o equivalente britânico ao Oscar. Os Brit Awards foram distribuídos em meio a grande algazarra e mil promoções.

Até a sociedade anglo-brasileira da prestigiosa e prestigiada London School of Economics divulgou o nome de sua Personalidade do Ano, a cerimônia é por esses dias e, mais uma vez, não fui o contemplado, o que me parece uma injustiça que se perpetua há 26 anos.

Mas, como o perdedor indicado para melhor ator coadjuvante, bato palmos e sorrio amarelo.

O mundo merece tantos prêmios? Sejamos francos: há tanta coisa boa dando sopa por aí que valha uma estatueta e um discursinho de alguns segundos diante das câmeras?

No lo creo.

E não estou só. Os britânicos, cujo bom humor, apesar de tudo, continua inalterado, acabam de instituir o Prêmios dos Prêmios, ou, para quem não está acostumado ao idioma pátrio aí de vocês, o Awards Awards.

Vai ser (o verbo acontecer surgiu, ocorreu, apareceu, tem lugar demais depois que eu me mandei do Brasil), vai ser, dizia eu, na sexta-feira no chiquérrimo hotel Dorchester e sua finalidade, segundo seus debochados organizadores, "é render tributo aos melhores prêmios, pessoas e organizações responsáveis pela farta distribuição de lauréis e quejandos."

Procurados por diversas reportagens, desde a quarta-feira de cinzas, os responsáveis pela feliz ocasião já estão roucos de tanto afirmar que não, não é brincadeira, é para valer.

Ainda não se fala na possibilidade dos prêmios dos prêmios dos prêmios.