Jesus e gays dominam o noticiário americano. Jesus, o filme, na versão do supercristão Mel Gibson, segundo ele, é fiel à Bíblia. A ala mais ortodoxa da Igreja Católica aprova o filme.
Uma bancada formada por líderes de várias religiões e organizada pelo New York Times assistiu e condenou o filme.
Os gays dominam o noticiário porque estão casando e querem legalizar o casamento no país. O presidente Bush é contra e vai liderar o movimento para incluir a proibição na Constituição americana.
Precisa de aprovação de dois terços do congresso e ratificação de 38 Estados. Briga difícil. A Constituição americana é um documento de direitos, proteções e garantias e não de proibições mas os evangélicos ortodoxos aprovam a decisão.
Embora dois terços dos americanos sejam contra o casamento gay, o país está dividido sobre a emenda constitucional.
Na minha condição de jornalista digo que não sei o que vai acontecer mas na de profeta garanto que esta emenda não será aprovada.
Como jornalista que asssistiu o filme de Mel Gibson e passou horas lendo sobre a controvérsia, informo que o sofrimento de Jesus é tão brutal que amorteceu meu sentimento, à beira do tédio. A hora final é interminável.
Como ex-católico muito praticante não senti o apelo deste Cristo mas ele vai ressuscitar polêmicas durante muito tempo no mundo inteiro.
Quem tem sensibilidade judaica mais apurada vai achar o filme anti-semita embora Gibson tenha retirado a legenda da frase mais contundente, a de Caifas, um líder religioso judeu: "o sangue dele estará em nós e nos nossos filhos".
Não sei o que Jesus acharia deste filme, mas alguma coisa me diz que ele incluiria os gays, solteiros ou casados, no rebanho dele e aposto que jamais votaria em George W. Bush.