Líderes da oposição no Haiti rejeitaram o plano de paz para o país apresentado no sábado por representantes de vários países, entre eles os Estados Unidos.
A proposta previa que o presidente Jean-Bertrand Aristide permanecesse no cargo até o final de seu mandato, em 2006. No entanto, o primeiro-ministro Yvon Neptune seria substituído.
O plano recebeu o aval de Aristide, mas a oposição disse que não aceitará nada antes da renúncia do presidente.
"Nós enviamos uma mensagem (contendo nossa posição) e uma carta assinada dizendo não à proposta (ao representante da Organização de Estados Americanos no Haiti)", disse Paul Denis, porta-voz da maior organização política de oposição do Haiti, a Convergência Democrática, à agência de notícias Associated Press.
Apelo
Segundo analistas, a rejeição por parte da oposição diminuiu as esperanças de se encontrar uma solução rápida para a crise política no país.
O acordo de paz limitaria o poder de Aristide e previa a participação de representantes da oposição no processo de escolha de um novo primeiro-ministro e também em outras decisões do governo transitório.
O presidente haitiano pediu nesta terça-feira ajuda internacional para evitar mais violência, na eventualidade de um ataque rebelde contra a capital, Porto Príncipe.
"Caso esses assassinos venham para Porto Príncipe, há a possibilidade de que milhares de pessoas sejam mortas", disse Jean-Bertrand Aristide em uma coletiva.
Metade do país
Segundo relatos, os rebeldes, que controlam aproximadamente metade do país, esperam tomar a capital Porto Príncipe em breve.
Aristide também havia pedido que seus opositores políticos aceitassem o plano para um governo de transição.
O ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, deve se encontrar nesta semana em Paris com representantes do governo haitiano e da oposição.
A crise já deixou pelo menos 70 mortos no Haiti.