O Comitê Internacional da Cruz Vermelha condenou a construção do muro que separa Israel da Cisjordânia.
Segundo a agência humanitária, a barreira, construída em áreas palestinas, viola a lei internacional e vai "ultrapassar em muito o que é permitido a uma potência ocupante".
Israel diz que o muro se destina a obstruir suicidas. Os palestinos, no entanto, contestam a legalidade da barreira e dizem que isso não é mais do que uma forma de usurpação de terras.
Os comentários da Cruz Vermelha foram feitos poucos dias antes de uma audiência na Corte Internacional de Justiça, em Haia, sobre a legalidade do polêmico muro.
Sem acesso
Israel diz que a corte não tem autoridade para tratar da questão.
A Cruz Vermelha, uma organização considerada neutra, com sede na Suíça, tem observado a construção da barreira de segurança.
A agência diz que, ao longo do território ocupado onde o muro está sendo erguido, milhares de palestinos estão sendo impedidos de ter acesso à água, assistência de saúde e educação.
O muro também causou extensos danos em propriedades e terras palestinas, acrescenta a agência.
“Os problemas que afetam a população palestina na sua vida diária demonstram claramente que o muro viola a obrigação de Israel ante a lei humanitária internacional de assegurar tratamento humano e bem-estar à população civil que vive sob a sua ocupação”, disse a Cruz Vermelha em um comunicado.
Autoproteção
“A Cruz Vermelha adverte Israel a não planear, construir ou manter esse muro no interior do território ocupado.”
No entanto, a organização destacou que respeitava o direito de Israel de se autoproteger e o comunicado não apela à suspensão total da construção.
O correspondente da BBC em Genebra Imogen Foulkes diz que essa se trata de uma declaração frontal de uma organização normalmente neutra.
O embaixador israelense junto das organizações internacionais em Genebra, Yaakov Levy, disse à agência de notícias Associated Press que Israel lamentava a decisão da Cruz Vermelha de criticar o muro.
“Há o perigo da posição da Cruz Vermelha ser transformada numa arma política contra as medidas de autodefesa de Israel”, disse ele.