Rebeldes armados atacaram a cidade de Hinche, no centro do Haiti, espalhando a ofensiva para uma nova região do país.
Inúmeras cidades na costa oeste do país, ao norte da capital Porto Príncipe, já haviam sido tomadas pelos rebeldes, que pedem a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide.
Em Hinche, os oponentes do presidente atacaram a delegacia de polícia, deixando três pessoas mortas, incluindo o chefe do distrito, Jonas Maxime.
A correspondente da BBC em Porto Príncipe Claire Marshall disse que, após os ataques, os rebeldes podem ter tomado a cidade, que tem uma importância estratégica.
Domínio
Se a tomada de Hinche for confirmada, os rebeldes teriam controle das duas principais estradas ao norte da capital, diz Marshall.
Desde o dia 5 de fevereiro, Gonaive, a quarta maior cidade do país, está sob controle de rebeldes armados.
Nesta segunda-feira, em resposta à crise que se agrava no Haiti, a República Dominicana fechou sua fronteira com o país.
Rebeldes e grupos oposicionistas querem que o presidente Aristide renuncie ao cargo.
Em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira, o presidente se negou a dar qualquer detalhe sobre os planos que seriam usados para lidar com a rebelião. Ele apenas disse que não pretende usar violência.
"Um grupo de terroristas está acabando com a ordem democrática", disse ele. "Nós temos a responsabilidade de usar a lei e o diálogo para achar um caminho de paz."
Ele acrescentou que a comunidade internacional deveria tomar mais atitudes para ajudar o Haiti, dizendo que a polícia não deve conseguir lidar sozinha com os ataques.
Com o objetivo de reinstalar a tranquilidade em Hinche, o chefe da polícia de Porto Príncipe disse que mandaria reforços.
Mas relatos vindos da cidade dizem que a polícia foi forçada pelos rebeldes a se retirar da região.
O ataque em Hinche eleva para mais de 50 o número de mortos desde que a crise começou, no início de fevereiro.