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Governo planeja ação para retomar cidade no Haiti

O primeiro-ministro do Haiti, Yvon Neptune, confirmou à BBC Brasil que o governo planeja lançar uma ofensiva para retomar o controle de Gonaive, a quarta maior cidade do país, que está sob controle de rebeldes armados desde o dia 5 de fevereiro.

"Eles (os rebeldes) são um fator de desestabilização no Haiti, e iremos mandar a Polícia Nacional à cidade", disse Neptune, em uma breve entrevista.

O premiê se recusou a dar uma data exata para a ofensiva, dizendo que a informação "é uma questão de segurança nacional".

Até a terça-feira, nenhuma ação havia sido tomada.

Os rebeldes, que pedem a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide, tomaram inúmeras cidades na costa oeste do país, ao norte de Porto Príncipe, a capital.

Ajuda humanitária

Durante entrevista coletiva, o presidente Aristide anunciou que vai revelar documentos implicando membros de uma ex-milícia que operou no país antes de 1991, ano em que Aristide foi deposto por um golpe militar.

"O golpe que ocorreu em 1991, obviamente, teve pessoas envolvidas: tanto as pessoas que sofreram as consequências pelo golpe quanto os que deram apoio. E hoje algumas dessas pessoas estão por trás do que está acontecendo em Gonaive. Talvez alguns nomes estejam nesses documentos'', afirmou.

No momento, acredita-se que 11 cidades estejam sendo controladas pelos rebeldes.

A Cruz Vermelha confirmou ter entrado na cidade de Gonaives, levando remédios para hospitais e clínicas.

O chefe da delegação, Pedro Isely, disse ter negociado com o governo e com os rebeldes para ter acesso ao local.

Os rebeldes montaram barricadas para impedir o possível avanço dos policiais, no caso de uma ofensiva. O Haiti deixou de ter Exército depois que tropas americanas recolocaram Aristide no poder, em 1994, após o presidente ter sido afastado em um golpe militar.

Os rebeldes também estariam impedindo a chegada à várias cidades de alimentos e outros gêneros de primeira necessidade.

O representante do Programa de Alimentação da ONU no Haiti, Alejandro Chicheri, confirmou que a situação nas cidades ocupadas é preocupante.

"Não estamos conseguindo levar alimentos por terra, porque as estradas foram bloqueadas (pelos rebeldes)", disse ele à BBC Brasil.

Chicheri disse que um dos objetivos da organização nesta semana é arranjar barcos que façam o transporte dos alimentos até mais perto das áreas atualmente isoladas.