Acionistas que detêm 44% da empresa petrolífera russa Yukos propuseram ceder o controle do grupo ao governo em troca da libertação do ex-presidente da empresa, Mikhail Khodorkovsky.
O empresário está preso desde outubro, acusado de fraude e evasão fiscal, mas seus aliados alegam que a prisão tem motivos políticos.
A oferta foi feita pelo Grupo Menatep, uma instituição financeira que controla 44% da Yukos e cujas ações são avaliadas em US$ 14,6 bilhões.
Segundo a agência de notícias Reuters, o grupo também quer a libertação do acionista Platon Lebedev, preso desde julho sob acusações similares às de Khodorkovsky, e do ex-chefe de segurança da Yukos Alexei Pichugin – acusado de assassinato.
Escolha
"Nós estamos oferecendo (às autoridades) uma escolha: libertem os reféns e nós estaremos prontos a negociar a cessão do controle acionário. Nós podemos continuar como investidores de portfólio", afirmou à Reuters o acionista Leonid Nevzlin, que anunciou a proposta em Israel, onde vive exilado.
Ainda em entrevista à Reuters, Nevzlin teria dito que o governo russo está mandando "incontáveis intermediários" para expulsá-los. "Mas eles não podem simplesmente expropriar nossos ativos. Será um escândalo internacional", teria dito.
"A vida e a liberdade são mais valiosas do que ações", disse Nevzlin.
Segundo ele, a oferta cobre todos os ativos do Menatep.
O acionista também teria dito, no entanto, que o grupo estaria apenas disposto a ceder o controle da Yukos, mas continuaria tendo participação acionária.
Originalmente um banco, o Menatep era o veículo de investimentos de Khodorkovsky durante os anos 90.
De acordo com a página do Menatep na internet, seus ativos estão concentrados nas indústrias química, financeira, mineira e de telecomunicações.