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Crise humana se agrava no Haiti, alertam agências

Representantes da ONU e da Cruz Vermelha pediram nesta sexta-feira que rebeldes e simpatizantes do governo no Haiti permitam que o acesso de grupos de ajuda humanitária a cidades no oeste e norte do país.

Muitas cidades haitianas estariam sem receber comboios com alimentos e mantimentos por causa da falta de condições de segurança para o transporte.

A situação seria mais grave em Gonaives, tomada por rebeldes no dia cinco de fevereiro. Um representante da Cruz Vermelha do Haiti disse à agência de notícias Associated Press que suprimentos de emergência de farinha, óleo de cozinha e outros itens básicos vão acabar em quatro dias na cidade.

A Cruz Vermelha também disse que o atendimento nos hospitais da cidade está sendo prejudicado pela falta de médicos, que estariam com medo de ir aos hospitais.

Reunião

"O que os trabalhadores humanitários precisam agora é acesso ao norte", disse Elisabeth Byrs, uma porta voz do setor de assistência humanitária da ONU em Genebra, à agência de notícias France Presse.

Pelo menos 50 pessoas morreram em episódios de violência no país desde o dia cinco de fevereiro, quando rebeldes que exigem a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide começaram a tomar cidades no interior do país.

Representantes dos Estados Unidos, do Canadá e de países do Caribe pediram que o governo e os rebeldes do Haiti busquem uma solução pacífica para o conflito em uma reunião que realizaram nesta sexta-feira, em Washington.

Os representantes presentes disseram que a solução para a crise precisa ser prevista pela constituição haitiana - descartando um apoio ao afastamento à força do presidente Jean-Bertrand Aristide.

"O que precisamos, agora, é ação", disse o secretário de Esrado norte-americano Colin Powell, depois da reunião. "Nós precisamos que (Aristide) comece a agir, buscando um diálogo com a oposição para assegurar que marginais não tenham chance de interromper manifestações pacíficas."

E completou: "O que nós precisamos do presidente Aristide, agora, é ação, não apenas expressões e palavras de apoio".

Caricom

Powell e os outros presentes à reunião manifestaram seu apoio à uma proposta aprensentada em janeiro pelo Caricom (Comunidade de Países do Caribe), com o objetivo de buscar uma solução pacífica no Haiti.

A proposta, que já recebeu a aprovação do presidente Aristide, prevê a criação de uma comissão, formada por representantes de países do Caribe, que iria ao Haiti para avaliar a situação do país.

Ela também prevê que Aristide e representantes da sociedade civil participem de uma reunião a ser realizada em outro país caribenho, junto com representantes de nações da região.

Aristide foi reeleito para a Presidência em no ano 2000 em eleições que a oposição considera que foram fraudulentas.

Ele também é acusado de corrupção e de desrespeito aos direitos humanos, mas disse que só pretende deixar o poder ao final de seu mandato, em 2006.