Sete policiais espanhóis viajaram nesta quinta-feira para Guantánamo para escoltar de volta à Espanha um cidadão espanhol que está preso na base dos Estados Unidos que fica em Cuba.
As autoridades espanholas alegaram que Abderrahamn Ahmad – capturado no Afeganistão em 2001 – é membro de uma célula espanhola da Al-Qaeda e deve ser julgado no país.
O secretário de Estado americano Colin Powell disse que o repatriamento de Ahmad será o primeiro de uma séria de transferências de prisioneiros.
Ahmad, de 23 anos, é nativo do enclave espanhol de Ceuta, no norte de África.
Ele é um dos quatro detidos em Guatánamo que foram acusados pelo juiz da Suprema Corte Espanhola, Baltasar Garzón, de estarem ligados a uma célula da Al-Qaeda na Espanha, descoberta em novembro de 2001.
‘Conversas e cooperação’
Ahmad deverá comparecer perante à corte do juiz Garzón para interrogatório, na sexta-feira à noite.
O governo espanhol disse que vai solicitar a extradição dos outros três homens.
Powell disse que a decisão de transferir Ahmad foi precedida de “muitas conversas” e “boa cooperação” com o governo espanhol.
“Foi importante nos protegermos detendo esse indivíduo, para descobrir o que ele sabia sobre potenciais atividades terroristas e qual seria o seu envolvimento”, disse Powell à televisão espanhola.
Mais de 600 pessoas, supostos combatentes da Al-Qaeda e do Talebã, oriundos de mais de 40 países, estão detidos sem acusação na base dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo.
A maioria está detida desde a guerra no Afeganistão, liderada pelos Estados Unidos, que ocorreu após os ataques de 11 de setembro de 2001.
Washington diz que os prisioneiros são “combatentes inimigos” que não têm direito a advogado e poderão ficar detidos indefinidamente sem acusação.