Na famosa aldeia de Vadinagar, na Índia, ter um par de serpentes era frequentemente um sinal de talento. Não é mais.
Hoje, os homens que em um passado recente tiravam o sustento de encantar as cobras com suas flautas estão tendo que mudar de vida para sobreviver.
A mudança se deve à aplicação cada vez mais rígida da Lei de Proteção da Vida Selvagem Indiana, de 1972.
Segunda a lei, os antigos encantadores não podem mais caçar as serpentes para utilizá-las em suas apresentações – o que está levando vários deles a atravessar dificuldades financeiras e a abandonar a profissão.
Fim da tradição
Karsan Nath é um chefe de encantadores de serpentes.
Ele pertence à comunidade Nath, originária de Jodhpur, que fica no Rajastão, mas que está na região de Vadinagar há nove gerações.
“A nossa única vocação costumava ser caçar serpentes e exibi-las em público”, diz ele.
“Isso era acompanhado por vários outros atos de malabarismo. Mas, particularmente na última década, o governo tornou-se rigoroso e nós perdemos o nosso sustento.”
Apesar de ele próprio ter proibido a sua comunidade de caçar serpentes, Nath possui uma cobra naja – para o caso de ser solicitado a provar os seus talentos uma vez mais.
Nath continua gostando de envergar o traje de chefe da comunidade, mas lamenta: “É difícil para mim inclusive alimentar a minha serpente. Tenho que a alimentar com milho e ovos em dias alternados e muitas vezes não tenho meios para fazê-lo”.
Ele fala candidamente da batalha com o governo sobre a implementação da Lei da Proteção da Vida Selvagem.
“Há mais de 300 famílias, apenas em Vadinagar, que enfrentam uma crise econômica. O governo devia fazer alguma coisa pela sua reabilitação”, diz Nath.
As mudanças significam também que as crianças agora vão para a escola. No entanto, os mais velhos lamentam o fato de não serem capazes de passar a sua arte de caçadores de serpentes, de extração de veneno e de fazê-las atuar ao som de uma flauta.