Mais de 300 membros do movimento Fatah - de Yasser Arafat, presidente da Autoridade Palestina - apresentaram neste sábado um pedido de renúncia.
A decisão é um protesto contra as alegações de corrupção e divisões dentro da organização e contra o fracasso do Fatah em responder aos pedidos de reforma.
Os manifestantes enviaram uma carta à liderança do Fatah em que reclamam da falta de direção na maneira como o movimento encara o conflito com Israel.
Os palestinos afirmam que a decisão de renunciar à organização é irrevogável, mesmo se isso custar os seus empregos.
Advertência
As renúncias foram apresentadas por membros de escalões inferiores do Fatah, e nenhum deles ocupava funções de grande importância no movimento.
No entanto, Hussein Al-Sheikh, um importante membro da organização em Ramallah, descreveu o comunicado de renúncia em massa como um sinal de advertência.
"Para preservar a unidade e a coesão do movimento e manter sua liderança na luta e na ação nacional palestina, sérias medidas precisam ser tomadas para efetuar mudanças internas no movimento", disse Sheikh ao canal árabe de televisão por satélite Al-Jazeera.
"Nós não devemos ignorar essa ampla fissura entre a base do movimento e suas lideranças", acrescentou.
O movimento Fatah tem um histórico de atritos entre os membros mais novos e a velha guarda que voltou do exílio, após acordos de paz no começo da década de 1990, para comandar a Autoridade Palestina.
Um dos principais impasses dentro da organização é o fracasso da tentativa de realizar eleições para os órgãos internos do movimento.
O regulamento do Fatah prevê eleições a cada cinco anos, mas nenhuma foi realizada desde 1989.