O primeiro-minsitro britânico Tony Blair disse que não sabia que a afirmação de que o Iraque poderia mobilizar armas de destruição em massa em apenas 45 minutos referia-se unicamente a equipamentos para uso em campo de batalha.
O relatório com tal afirmação foi publicado em setembro de 2002 e apresentado pelo primeiro-ministro à Câmara dos Comuns, a câmara baixa do parlamento britânico.
Mas durante o Inquérito Hutton - que examinou a morte do cientista David Kelly - ficou esclarecido que a informação referia-se apenas a armamentos utilizados em combate e não equipamentos que pudessem ameaçar alvos distantes do Iraque.
Mas Blair defendeu durante a sessão de perguntas e respostas no parlamento sua decisão de aliar-se aos Estados Unidos contra o Iraque.
Hutton
O primeiro-ministro citou o os resultados do Inquérito Hutton, que eximiram o governo da acusão de "esquentar" as informações sobre armas para justificar a guerra.
E aproveitou para dizer que a reportagem da BBC que levou ao Inquérito Hutton é "cem por cento errada".
Mas o primeiro ministro admitiu não saber a que armas se referia o dossiê apresentado antes da votação parlamentar que autorizou a guerra, em 18 de março.
No Inquérito Huttton, o chefe da Comitê Conjunto de Inteligência, John Scarlett, disse que as informações a respeito do risco apresentado por Saddan Hussein referiam-se apenas a coisas como morteiros e lançadores de granadas, mas não mísseis de longa-distância.
O secretário de defesa, Geoff Hoon, disse no inquérito que sabia do detalhe, mas que não tomou nenhuma atitude para corrigir a informação na imprensa.
Críticos
Mas o ex-secretário de exterior britânico, Robin Cook, disse achar estranha a afirmação de Tony Blair.
Cook renunciou durante os debates que antecederam o conflito no Iraque por discordar da posição do governo, favorável à guerra.
"No meu discurso de renúncia chamei a atenção para o fato de que o relatório se referia apenas a armas de combate e que provavelmente o Iraque não teria armas de destruição em massa", disse Cook.
O porta-voz do partido Conservador para assuntos externos, Michael Ancram disse que a resposta de Blair levanta "sérias questões a respeito do que o governo sabia antes de ir à guerra contra Iraque".