A Assembléia Nacional da França começa a debater nesta terça-feira o polêmico projeto de lei que proíbe o uso de objetos religiosos em escolas públicas do país.
Os parlamentares pediram para discutir sobre a legislação que bane "ostentosos" símbolos de fé, como o uso de véus islâmicos, solidéus, turbantes e a exposição de cruzes. Até mesmo barbas não seriam permitidas, caso tenham propósito religioso.
O primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, abrirá os debates que estão programados para acontecer até quinta-feira. A votação deve ocorrer na semana que vem.
Cerca de 140 dos 577 parlamentares se registraram para o debate, um número considerado alto.
Protestos
Manifestações contra o projeto de lei estão programadas para acontecer no país e no exterior.
Alguns muçulmanos concordam com a proibição, mas outros alegam que o uso de véus deveria ser permitido em nome da liberdade de religião.
Muçulmanos ortodoxos dizem que o véu, ou "hijab", é necessário para proteger a modéstia das mulheres em relação aos ensinamentos do Alcorão.
Já aqueles da etnia Sikh insistem que os turbantes são parte central de sua identidade cultural e religiosa.
Pesquisas de opinião mostraram que os franceses apóiam a nova legislação.
Caso seja aprovada, a lei entraria em vigor em setembro, quando inicia o novo ano escolar.
O presidente da França, Jacques Chirac, disse que é necessário preservar o princípio nacional da secularidade, que separa a religião do Estado.