Três adolescentes afegãos detidos pelo Exército americano em Cuba foram libertados e já estão junto de suas famílias.
Eles têm entre 13 e 15 anos e seriam os mais jovens detentos na controversa base americana de Guantánamo.
A alegação contra eles é que seriam suspeitos de lutar pelo Talebã contra as forças lideradas pelos Estados Unidos, que invadiram o Afeganistão em 2001.
A prisão dos garotos sem julgamento foi atacada por grupos de direitos humanos. Um deles teria apenas 11 anos quando foi detido.
Localização secreta
O correspondente da BBC em Cabul, Andrew Norton, disse que a Cruz Vermelha se esforçou para que a volta deles não atraísse muita atenção da mídia.
Teme-se represálias contra os meninos.
Norton disse que a estratégia parece ter funcionado, já que muitos na capital do Afeganistão ainda não sabem do retorno deles.
Duas das famílias viajaram do sudeste do país para Cabul na última quinta-feira e levaram os garotos de ônibus para casa no mesmo dia. A localização exata não foi revelada.
Dois anos de prisão
O terceiro garoto dormiu na missão da Cruz Vermelha em Cabul e foi levado no dia seguinte para a cidade de Kandahar, para ser entregue a sua família, em um avião da organização.
Acredita-se que depois eles seguiriam viagem rumo ao sudoeste do país.
O Departamento de Defesa americano soltou os meninos dizendo que eles não são mais uma ameaça aos Estados Unidos e que não teriam mais valor enquanto suspeitos para interrogatório.
Mas de 600 combatentes afegãos do Talebã e estrangeiros acusados de pertencer à rede Al-Qaeda estão sendo mantidos sem acusação na base americana desde a guerra americana contra o Afeganistão, em 2001.
Já foram libertados 87 prisioneiros – quatro foram mandados para prisões na Arábia Saudita.
Um comunicado oficial do Pentágono disse que “é nosso objetivo devolvê-los ao um ambiente onde eles tenham a oportunidade de regressar à sociedade civil.”
“Idade não é um fator determinante nas nossas prisões”, disse um porta-voz do Pentágono.
Dois dos garotos foram mandados à Guantánamo em janeiro de 2002. O terceiro é acusado de tentar comprar armas para o Talebã.
O general americano que comanda a base havia se pronunciado a favor da libertação deles em agosto, mas aguardava ordens superiores.