O governo George W. Bush deve instalar uma investigação independente para analisar as informações que levaram à guerra do Iraque.
A informação foi passada por membros do governo, que também disseram que a investigação será lançada no início desta semana.
A pressão por uma investigação sobre os dados que foram apresentados pelos órgãos de inteligência americanos antes da guerra aumentou desde que o inspetor de armas David Kay disse que o Iraque não possui nem possuía armas de destruição em massa.
Kay foi o chefe do grupo enviado ao Iraque para investigar e tentar encontrar as supostas armas de Saddam Hussein – um dos principais motivos para a invasão do país.
Em uma entrevista na semana passada, o inspetor americano afirmou que praticamente todos os especialistas estavam equivocados sobre os armamentos que o Iraque de fato possuía e defendeu que é preciso verificar as falhas nos serviços de informação que levaram ao erro.
O presidente americano vinha se opondo à instalação de uma investigação, mas aparentemente decidiu ceder diante da pressão feita tanto pela oposição democrata quanto por membros de seu próprio partido no Congresso.
A comissão de investigação deverá ter membros de ambos os partidos e, provavelmente, terá um prazo final – possivelmente no ano que vem.
“O presidente quer uma revisão ampla, independente e bipartidária do funcionamento de (nossos órgãos) de inteligência, especialmente em relação as armas de destruição em massa”, disse uma fonte ligada ao presidente americano.
O presidente americano disse na semana passada que quer saber “os fatos” sobre as armas iraquianas.
Na opinião de analistas, com o lançamento de uma investigação Bush estaria tentando evitar que o debate sobre as armas de destruição em massa atrapalhe seus planos de reeleição neste ano.
Com um prazo final para depois das eleições, o governo estaria buscando evitar que qualquer conclusão tenha um impacto sobre a votação.
A pressão para que o atual diretor da CIA, a central de inteligência americana, George Tenet, seja demitido também poderia ser, ao menos em parte, adiada.
Para alguns observadores, o governo também estaria tentando tomar a iniciativa para se colocar o mais próximo possível do processo.