Cerca de cem parlamentares reformistas iranianos pediram renúncia em protesto ao veto ao nome de milhares de candiatos nas eleições parlamentares deste mês.
A decisão acontece em meio a uma crise política desencadeada pela decisão dos clérigos conservadores que compõem o Conselho dos Guardiães da Revolução de impedir as diversas candidaturas.
O conselho é formado por 12 pessoas, das quais a metade é indicada pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Khamenei. Toda candidato a qualquer disputa eleitoral no Irã depende da aprovação do conselho.
O governo do presidente Mohammad Khatami, favorável aos reformistas, vinha exigindo o fim do veto a 3,6 mil candidatos.
"Ditadura"
Um dos mais destacados parlamentares reformistas do Irã, Mohsen Mirdamadi, leu um comunicado criticando o Conselho dos Guardiães.
"Eles querem cobrir o corpo feio da ditadura com o lindo vestido da democracia", afirmou Mirdamadi.
Na sexta-feira, o conselho aceitou derrubar o veto a um terço dos 3,6 mil candidatos que haviam se impedidos de se registrar para a votação.
Mas os parlamentares – dos quais 80 também estão na lista negra – estão exigindo a reintegração de todos os candidatos vetados.
Agora, há um total de 5.450 candidatos na disputa.
O Ministro do Interior iraniano, Abdolvahed Moussavi Lari, disse que está "fora de cogitação" realizar eleições. "A possibilidade de organizar eleições livres e justas não existe", afirmou.
O presidente Khatami endossou as declarações, afirmando que as eleições não teriam legitimidade.
O ministro do interior havia pedido o adiamento das eleições, marcadas para o próximo dia 20, mas o conselho disse não haver necessidade de adiamento.
O presidente iraniano adiou a tomada de uma decisão sobre o tema por ter sentido um mal estar após comparcer, juntamente com todo seu gabinete, a uma cerimõnia no santuário do aiatolá Khomeini, o pai da revolução iraniana.
Miranda Eeles, correspondente da BBC em Teerã, conta que fontes próximas ao presidente, que tem 60 anos, dizem que seu mal estar foi causado por estresse e pela pressão a que vem sendo submetido nos últimos dias.
A crise segue em meio aos preparativos para a celebração do aniversário da revolução de 1979, que derrubou o regime do xá Rehza Pahlevi e trouxe ao poder clérigos islâmicos linha-dura.