Israel está desafiando o direito da Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda, de decidir sobre a legalidade de sua barreira de segurança na Cisjordânia.
Uma autoridade israelense disse que, nesta sexta-feira, o governo submeteu um documento ao tribunal, em que se afirma que a corte não tem autoridade para lidar com o assunto.
O governo israelense argumenta que a barreira tem como objetivo impedir atentados suicidas, mas os palestinos dizem que se trata de uma forma de tomar terras.
O tribunal deve se reunir para analisar o caso da barreira no dia 23 de fevereiro.
Constrangimento diplomático
A decisão do tribunal não tem força de lei, mas pode causar constragimento diplomático a Israel.
A Grã-Bretanha e a Austrália se opõem à audiência do tribunal internacional, que foi solicitada pela Assembléia Geral das Nações Unidas.
Analistas acreditam que é provável que os Estados Unidos assumam uma posição semelhante.
Isso, porém, não significa que esses países sejam a favor da barreira ou de seu traçado. Eles criticam a construção por supostamente dar a Israel controle sobre terras de territórios palestinos.
Tribunal
O que preocupa esses países é que o caso possa criar um precedente, levando a Assembléia Geral da ONU a enviar outras questões controvertidas à corte.
Uma dessas questões poderia ser a legalidade da guerra do Iraque.
A barreira na Cisjordânia se tornou um dos símbolos mais visíveis do conflito no Oriente Médio.
Os palestinos dizem que é um muro de apartheid. Israel prefere que ela seja conhecida como uma cerca de segurança ou de separação.
O governo israelense alega que é essencial manter fora do país autores de potenciais atentados suicidas, como o palestino que explodiu um ônibus em Jerusalém na quinta-feira, matando dez pessoas.
Mas os palestinos temem que o muro se torne uma fronteira se o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, levar adiante sua ameaça de separação unilateral na falta de um plano de paz.