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Repórter pivô de crise na BBC pede demissão

O repórter da BBC Andrew Gilligan – pivô da crise que culminou com a entrega do cargo do diretor-geral da BBC, Greg Dyke – pediu demissão nesta sexta-feira.

O jornalista afirmou que sua decisão de deixar a BBC foi uma 'iniciativa própria' e afirmou que a empresa como um todo foi vítima de uma "grave injustiça".

Gilligan foi o autor da reportagem que alegava que o governo britânico tinha "esquentado" um dossiê de inteligência sobre as armas de destruição em massa do Iraque.

Antes dele, o diretor-geral, Greg Dyke, e o presidente do conselho de administração da BBC, Gavyn Davies, tinham entregado os seus cargos.

A onda de demissões foi conseqüência do relatório do ex-juiz Brian Hutton, que presidiu a investigação sobre a morte do cientista do governo britânico David Kelly.

O lorde Hutton disse que a BBC falhou ao permitir que a reportagem de Gilligan fosse ao ar sem antes ter sido lida pelos editores.

Pontos de vista

A saída do diretor-geral e do presidente do conselho administrativo deixa a empresa exposta no momento em que se discute a necessidade de controle externo da BBC.

A ministra da Cultura do governo britânico, Tessa Jowell, disse que o resultado do relatório Hutton será considerado em uma revisão do estatuto da BBC em 2006.

Já uma pesquisa feita pelo instituto de pesquisa NOL e publicada no jornal Evening Standard indica que 56% dos britânicos acreditam que foi injusto a BBC ter recebido a maior parcela de culpa no relatório de Hutton.

Já a oposição pediu um inquérito independente para avaliar se o governo britânico tinha justificativa para levar o país à guerra contra o Iraque.

Além disso, Hutton deverá ser chamado pelo Comitê da Administração Pública, que está conduzindo uma investigação sobre o papel de inquéritos no governo.