Outro dia mesmo, eu resumi aqui o drama do mendigo que, no Rio, matou um pavão de estimação dos travestis da praça da República e, por isso mesmo, quase foi linchado, além de processado pela Fundação Parques e Jardins.
Pois caso idêntico se deu por estas bandas no fim-de-semana passado. Com algumas pequenas diferenças.
Em primeiro lugar quem morreu foi um faisão, primo menos garboso, mas bem mais suculento, do pavão.
Em segundo lugar, quem matou o faisão não foi um sem-teto, mas sim Sua Majestade a Rainha Elizabeth 2ª. Fê-lo, além do mais, a bengaladas.
Os últimos instantes de vida da pobre e apetitosa ave de luxo foram, inclusive, captados pela objetiva de alguém que os vendeu ao Daily Mail, diário em forma de tablóide que vende perto dos 3 milhões de exemplares diários.
Em fotos
Lá estavam, na página três, seis fotos em quatro cores mostrando Sua Majestade mandando desta para melhor o também majestoso animal.
Sua Majestade trajava calças compridas, portava lenço na cabeça e encontrava-se armada, digamos assim, de bengala, já que foi recentemente operada no joelho.
Foi justamente a bengaladas que o faisão abandonou este vale de lágrimas em que vivemos.
Alguns dados precisam ser adiantados. Sua Majestade não avançou contra o vistoso irracional.
Este foi trazido, com a devida devoção e profissionalismo, por um cão de caça, nas proximidades do castelo de Sandringham, onde a soberana passava o weekend.
Nada a ver com a “gripe do frango”, ou “aviária”. Era caça mesmo e fora trazida, agonizante, pelo cachorro devidamente treinado.
Falta de treino
Sua Majestade, queixam-se a imprensa e os devidos órgãos de proteção dos animais, é que não se acha devidamente treinada.
Pássaro agonizante se mata é torcendo o pescoço e não com bengalada na cabeça. Mais: Sua Majestade, insistem, é reincidente.
Em novembro de 2000, foi também fotografada torcendo o pescoço de outra ave ferida, embora não se tratasse de faisão.
A Rainha, ao que se acredita, está tomando as devidas providências para se proteger do assédio fotográfico.
De acordo com a legislação em vigor, é claro. Ninguém mencionou a possibilidade de Sua Majestade continuar empregando, para este fim, a ameaçadora, letal e real bengala.