O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira em Nova Déli, capital da Índia, suas políticas sociais – apesar de ter trocado vários ministros desta área na recente reforma ministerial.
Ele também disse esperar que o programa Bolsa Família, criado para unificar os programas assistenciais do governo, beneficie 11 milhões de famílias até 2006.
"Se conseguirmos fazer isso, estaremos atendendo à totalidade de famílias que precisam de ajuda na área de segurança alimentar e concretizando o maior plano de política de distribuição de renda hoje feito no mundo", disse o presidente.
"E é plenamente possível fazermos isso, não custa muito dinheiro."
Fome Zero
No país que possui o maior programa de distribuição de alimentos do mundo, Lula fez a apologia do programa Fome Zero, apesar de seu titular, José Graziano, ter sido mandado embora.
"O programa Fome Zero, em 11 meses, conseguiu chegar a praticamente 2 mil municípios e atender praticamente um milhão e meio de famílias", disse Lula a uma platéia de indianos e brasileiros presentes a um seminário sobre desenvolvimento sustentável em Nova Déli.
O presidente fez as afirmações falando de improviso, após um discurso sobre colaboração entre Brasil e Índia em áreas como a biotecnologia e o uso de combustíveis que poluem menos o meio ambiente.
As reformas em sua área social – além de Graziano, Benedita da Silva foi dispensada do Ministério da Assistência Social – foram justificadas como uma tentativa de unificar as políticas sociais do governo.
Lula também disse que o volume de dinheiro recebido pelas famílias pobres do Brasil aumentou consideravelmente em seu primeiro ano de governo.
"Até outubro do ano passado, a média de dinheiro que os pobres brasileiros recebiam era de apenas R$ 22, incluindo todos os programas sociais", afirmou Lula.
"Unificando todos os programas sociais, nós estamos distribuindo, para 3,615 milhões de famílias, uma média de R$ 72."
Castas
O presidente aproveitou para adaptar o seu discurso em defesa da distribuição de renda ao sistema de hierarquização social existente na Índia.
"O desafio que está colocado para nós é que não basta crescer para atender uma pequena casta da nossa sociedade", disse o presidente.
"O crescimento tem que significar distribuição de renda, distribuição de riqueza, porque não acredito que, neste século, Índia e Brasil continuarão a ser países em desenvolvimento."