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EUA deportarão 'primeira leva' de brasileiros ilegais

Um vôo especialmente fretado pelo Departamento de Segurança Doméstica dos Estados Unidos levará de volta ao Brasil 262 imigrantes ilegais deportados, nesta terça-feira.

Eles integram a primeira leva dos cerca de mil brasileiros detidos ao tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos nos últimos dois anos através da fronteira mexicana com os Estados do Texas e do Arizona.

Previsto para pousar no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, às 12h (hora de Brasília) de quarta-feira, o vôo deverá decolar de Tucson, no Estado do Arizona, às 21h (hora local) de terça-feira.

Diferentemente do que a BBC Brasil informou mais cedo, o transporte não será feito por um avião da TAM.

Vontade de voltar

De acordo com o senador Marcelo Crivella (PL-RJ), que tem acompanhado os preparativos para a deportação no Arizona, até o final de março todos os brasileiros com deportação já decretada pela justiça americana serão repatriados.

“A decepção (deles) é imensa e neste instante as pessoas só pensam em voltar”, disse Crivella à BBC Brasil.

“A condição psicológica é péssima. Na verdade os brasileiros sonhavam em aqui enriquecer, ajudar as famílias no Brasil, construir uma vida melhor. E tudo isso acaba desabando no momento em que são presos, algemados, levados para as prisões onde são tratados de maneira muito fria.”

Segundo a agência de notícias da Câmara dos Deputados, na semana passada, o deputado João Magno (PT-MG), que também visitou os imigrantes detidos nos EUA, conversou por telefone com duas brasileiras, Joelma Pereira da Silva, de Minas Gerais, e Ana Catarina da Silva, do Mato Grosso, detidas no Arizona.

"As duas disseram que a situação melhorou um pouco depois da nossa visita,” disse Magno.

As principais reclamações dos brasileiros presos dizem respeito à má qualidade da comida das cadeias americanas e ao fato de que parte deles, sobretudo as mulheres, estão dividindo suas celas com prisioneiros comuns.

Negociações

A deportação dos imigrantes brasileiros se dá depois de intensas negociações entre os governos dos Estados Unidos e Brasil, incluindo uma missão de parlamentares brasileiros enviados aos EUA no começo do mês.

Ao contrário do que o governo americano pretendia fazer inicialmente, os presos brasileiros não serão algemados durante o vôo e tampouco embarcarão com os uniformes azuis usados por imigrantes ilegais no país.

Para o governo americano, que arcará com os custos do fretamento dos vôos e da compra de roupas civis para os brasileiros, a repatriação é uma medida econômica, uma vez que cada detido custa cerca de US$ 65 por dia aos seus cofres.

Nos últimos meses, o Departamento de Segurança Doméstica americano, a cargo do patrulhamento de fronteira, tem endurecido a vigilância entre os Estados Unidos e o México.

Queda de tentativas

Tal endurecimento já estaria reduzindo o número de brasileiros tentando entrar ilegalmente nos EUA.

“Ouvi do oficial David Kollus, do Centro de Detenção e Remoção de Florence, no Arizona, que até o começo de 2003, entre 30 e 40 brasileiros eram detidos por dia na fronteira seca com o México”, disse Crivella.

”Mas na última semana, dada à publicidade negativa que tem chegado sobre o sofrimento dos presos no Brasil, este número caiu para quatro. Acredito que vai cair ainda mais.”

O governo americano não dispõe de estatísticas específicas em relação aos imigrantes ilegais brasileiros, uma vez que eles representam menos de 1% do total de pessoas que tentam entrar clandestinamente no país.

A maioria, mais de 98% do total, é formada por mexicanos e demais latino-americanos provenientes sobretudo de países das regiões do Caribe e América Central.

Estimativas da embaixada brasileira em Washington apontam para um contingente de entre 500 mil e 1 milhão de brasileiros vivendo nos Estados Unidos, a maioria ilegalmente.