O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou às 3h40 (horário local) a Nova Déli, na Índia, iniciando uma visita de cinco dias ao segundo país mais populoso do mundo.
Lula chegou acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, de vários ministros e até do ex-presidente da Argentina Eduardo Duhalde.
Já neste domingo o presidente começa a programação oficial da sua visita, encontrando-se com o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, e o presidente Abdul Kalam.
Lula vai participar das cerimônias de comemoração do Dia da República, a mais importante festa nacional indiana, e também visitará o Taj Mahal.
Comércio
A visita inclui ainda encontros com lideranças empresariais indianas e a assinatura de um acordo de redução de tarifas entre a Índia, que tem mais de 1 bilhão de habitantes, e o Mercosul.
A visita de Lula acontece num momento em que os dois países vêm se esforçando para estreitar suas relações.
Junto com a África do Sul, eles formaram o G3, que tem o objetivo de pressionar por pautas de interesse dos países em desenvolvimento no cenário internacional.
Diplomatas brasileiros e indianos atuaram juntos também na criação do G20, na reunião de Cancun da Organização Mundial do Comércio, no ano passado.
'Milagre' econômico
Em contraste com o Brasil, onde ainda prevalece a estagnação, a economia indiana vem crescento a ritmo acelerado já há mais de uma década, com uma média de 6% ao ano.
O mais recente indicador de crescimento econômico, relativo ao terceiro quadrimestre do ano passado, é ainda superior – 8,4%.
O "milagre" econômico indiano é simbolizado sobretudo por áreas como a produção de software e outros setores de alta tecnologia.
A Índia, apesar de ter uma renda per capita seis vezes inferior à do Brasil (segundo dados do Banco Mundial), possui um notável setor científico e muita mão-de-obra qualificada.
O bom desempenho da economia no ano passado, porém, não se deve apenas ao setor da tecnologia da informação.
"Também os servicos e a agricultura estão fazendo a economia crescer", afirma o economista M. N. Chinai, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Estado de Marahashtra.
Confiança
Chinai diz que a política econômica do governo dos anos 1990 ajudou a recuperar a confiança dos investidores, mas ainda há muito o que fazer.
Ele cita, por exemplo, o excesso de burocracia como um dos problemas que ainda persistem no caminho dos empreendedores indianos.
Ainda assim, os capitais estrangeiros estão entrando em volume cada vez maior, e as Bolsas de Valores apresentaram desempenhos recordes em 2003.
Nesta semana, depois de um começo em baixa, a Bolsa de Mumbai chegou a um nível inédito desde 2000 após as agências de avaliação de risco Fitch e Moody's terem melhorado a nota dos títulos do país.
Os jornais indianos todos os dias trazem reportagens sobre a iminente entrada de fábricas de automóveis, empresas de informática e outros tipos de companhias no país.
Todo o crescimento é necessário porque a Índia ainda é um país muito pobre – estima-se que 25% da população não tenha o suficiente para se alimentar.