O prefeito de Bogotá, Luis Eduardo Garzón - que desde a campanha dizia que adotaria o Fome Zero na cidade -, diz agora que pretende evitar os erros cometidos pelo projeto brasileiro.
"Não queremos lançar um projeto sem sustentação e sabemos que aqui no Brasil houve uma série de iniciativas que não tinham muita consistência. Por isso, estamos fazendo um inventário e vamos começar de baixo para cima", afirmou à BBC Brasil "Lucho", como é conhecido o prefeito da capital colombiana, em São Paulo.
Lucho Garzón veio à cidade como convidado da Prefeitura paulistana, para prestigiar as comemorações dos 450 anos da cidade.
O prefeito de Bogotá disse que está recebendo assessoria do governo brasileiro no seu projeto, que batizou de "Sem Fome", e diz que pode contar "com orgulho" que os brasileiros ficaram surpresos com alguns elementos do seu programa.
"Promotor"
"Não é só dar comida; também temos componentes de educação, saúde, renda e violência familiar", afirmou Lucho Garzón, comparando a iniciativa que quer ver em Bogotá com a implantada no Brasil.
Desde a campanha presidencial, Lucho era chamado de "Lula colombiano". O prefeito considera o presidente brasileiro um interlocutor importante dos problemas da América Latina, principalmente com os países desenvolvidos.
"O que não se pode negar é que ele se converteu num extraordinário promotor da região", disse.
No ano passado, já com o Lula brasileiro no Planalto, Lucho prometia na campanha para a Prefeitura que colocaria em prática na cidade o orçamento participativo, utilizado em várias prefeituras do Partido dos Trabalhadores (PT).
Ele diz que se sente "orgulhoso" por vir a São Paulo quando a cidade é administrada por um partido de esquerda, mas afirma que a relação entre Bogotá e a capital paulista não vai mudar se o governo da cidade mudar.
"Não quero me intrometer na política daqui, mas penso que os governos são passageiros", disse Lucho.
"Vim para o aniversário da cidade, independentemente de quem está no governo. Nosso relacionamento é entre as duas cidades, institucional."
"Acomodação"
Questionado sobre o primeiro ano do governo Lula, Lucho disse que considera um "processo de acomodação" a atuação conservadora do governo na economia. "Ainda faltam três anos", afirmou.
Mas, para Lucho Garzón, na área econômica os países latino-americanos vão seguir o modelo não-orotodoxo da Argentina, que deixou de pagar sua dívida, e não o modelo do Brasil.
"Vai chegar um momento em que até mesmo (o presidente colombiano Álvaro) Uribe, que é tão comprometido com os Estados Unidos, vai deixar de pagar a dívida."
Ele explica, contudo, que por ora não vai seguir esse caminho na Prefeitura de Bogotá. "Se me perguntarem se pago eu digo que sim, porque temos como pagar", afirmou.
A eleição do político de centro-esquerda em outubro do ano passado foi uma surpresa e uma derrota política para o presidente Uribe, de direita.
Lucho concorreu e foi derrotado por Uribe nas eleições presidenciais, em 2002, e assumiu a prefeitura da capital colombiana no início deste mês.