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Enviados da ONU estudam retorno do órgão ao Iraque

Dois funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) chegaram nesta sexta-feira à capital iraquiana, Bagdá, para avaliar a possibilidade de a organização voltar a operar com uma base no país depois que um atentado a bomba destruiu seu escritório na cidade.

Horas antes, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que vai anunciar "em breve" se a entidade está pronta para voltar ao Iraque.

A ONU havia retirado todos seus representantes estrangeiros do país depois que um atentado à sua sede em Bagdá, em agosto passado, matou 21 funcionários – inclusive seu principal representante no Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

De acordo com o porta-voz da organização, Stephane Dujarric, os dois enviados da ONU (cujos nomes não foram revelados) devem se reunir com representantes da administração interina do Iraque e verificar possíveis locais para a instalação da nova base do órgão.

Protestos

Paralelamente, o líder da maioria muçulmana xiita do Iraque insistiu que a ONU tenha um papel na transferência de poder político das forças de ocupação lideradas pelos Estados Unidos.

Um representante do aiatolá Ali Al-Sistani pediu a seus seguidores nesta sexta-feira para suspender os protestos em massa contra planos dos Estados Unidos para manter um governo não eleito no aguardo de uma decisão da ONU sobre o assunto.

Mas ele indicou, contudo, que deseja entrar em um entendimento se a ONU enviar uma equipe para avaliar se podem ser realizadas eleições.

Annan falou depois que Lakhdar Brahimi, um conselheiro da ONU, se reuniu com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, e a conselheira de Segurança Nacional americana, Condoleezza Rice, para discutir a transferência de poder no Iraque.

Brahimi, que já atuou como enviado da ONU para o Afeganistão, é hoje conselheiro de Annan para assuntos de segurança e paz.

Poucos detalhes de seu encontro com Powell e Rice foram divulgados, mas uma fonte do governo americano disse que as negociações avançaram.

Para o analista da BBC Roger Hardy, especialista em Oriente Médio, depois de mais de três décadas de ditadura, a idéia de eleições gerais e livres no Iraque tem um grande apelo, especialmente para a maioria xiita, que há muito tempo se sente excluída do poder.