O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, pediu o fim dos subsídios agrícolas em um discurso a líderes políticos e empresários presentes no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
"Os subsídios agrícolas favorecem as forças de mercado. Eles destroem o meio ambiente, e eles bloqueiam as exportações de países pobres nos mercados internacionais", disse Annan.
O secretário-geral da ONU afirmou que o combate à pobreza e os investimentos em saúde e educação devem voltar ao topo da agenda internacional. De acordo com Annan, essas iniciativas foram deixadas de lado por causa da guerra no Iraque e a ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o terrorismo.
Para Kofi Annan, esforços são necessários para a reconstrução de um "sistema coletivo de segurança" e para "evitar que o mundo deslize rumo a uma competição bruta, baseada nas leis da selva".
Preconceitos
Durante o discurso em Davos, o secretário-geral da ONU também reclamou dos poucos investimentos em países em desenvolvimento e de negociações comerciais que não conseguiram acabar com preconceitos contra os países pobres.
Annan também pediu a ajuda dos líderes presentes na luta pela paz e pela dignidade humana. O secretário-geral da ONU disse que quer convencer os participantes de um encontro em Nova York, em junho, a expandir uma iniciativa lançada há cinco anos para envolver o comércio com questões como o meio ambiente, a corrupção e o alerta contra a Aids.
A reunião será organizada por Annan, que pretende tentar chamar novamente a atenção para os desafios do desenvolvimento.
O secretário-geral das Nações Unidas disse ainda que "em pouco tempo" deve anunciar se uma equipe da ONU está pronta para retornar ao Iraque.
O quartel-general da ONU em Bagdá foi atacado em agosto do ano passado. O ataque matou o brasileiro Sergio Vieira de Mello, representante especial da ONU no Iraque, e a organização retirou seus funcionários do país.
Annan ressaltou que a prioridade da ONU é tomar medidas para assegurar a segurança e o bem-estar de todas as nações.
"Nós precisamos mostrar que a ONU é capaz de alcançar esse objetivo, não apenas para os membros mais privilegiados, que estão justificadamente preocupados com a questão da segurança", disse.
"Nós também precisamos defender homens e mulheres de ameaças mais familiares, como a pobreza, a fome e as doenças."