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América Latina deixou Davos de lado, diz Furlan

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou nesta quinta-feira que, embora apenas um presidente latino-americano esteja presente ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, isso não significa que a região tenha sido abandonada pela comunidade internacional.

"A impressão que eu tenho é que a América Latina deixou Davos de lado, porque nas últimas semanas, três presidentes cancelaram a sua participação", disse Furlan à BBC Brasil de Davos, onde representa o governo brasileiro.

O único presidente latino-americano a participar do encontro é Lúcio Gutierrez, do Equador.

O ministro acrescentou que, pelo menos, na área empresarial há uma presença mais forte da região. "A falta de governos leva a uma menor participação nos painéis (de discussão)", acrescentou Furlan.

Miniministerial

O ministro adiantou que vai participar de painéis sobre negociações internacionais de comércio, sobre a rodada de Doha e sobre o impacto dos acordos bilaterais que vêm acontecendo.

"Além disso, vamos ter uma reunião miniministerial informal sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC), paralelamente ao encontro."

Furlan deve participar ainda de encontros bilaterais sobre atração de investimentos em setores que interessam particularmente ao Brasil, como o farmacêutico, de softwares e informática e de bens e capitais.

Segundo o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gostaria de ter ido a Davos para discutir questões sociais e de combate à pobreza, mas teve que adaptar a sua agenda.

"Tinha sido combinado um painel com a participação dele (Lula), do presidente Jacques Chirac, da França, e do secretário-geral das Nações Unidas (Kofi Annan). Mas o presidente Chirac se recusou a vir ao fórum e essa reunião deve acontecer na próxima semana, em Genebra."

Furlan se disse esperançoso de que as negociações sobre a OMC avancem. "A carta que o secretário de Comércio Exterior americano, Robert Zoellick, enviou na semana passada a todos os ministros faz aberturas muito importantes e sinaliza mudanças de opiniões arraigadas que podem destravar a rodada de Doha", disse o ministro.

Na carta, Zoellick propôs a eliminação rápida de todos os subsídios à exportação de produtos agrícolas e a redução de tarifas de importação de mercadorias.