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Ministros ameaçam renúncia coletiva em crise eleitoral no Irã

Vários ministros e altos integrantes do gabinete do presidente do Irã, Mohammad Khatami, apresentaram nesta quarta-feira pedidos de renúncia.

A medida ocorre em protesto contra a atuação do Conselho dos Guardiães – órgão dominado pelos setores mais conservadores do regime iraniano – que proibiu a candidatura nas próximas eleições de milhares de pessoas identificadas com o movimento reformista.

A decisão de renúncia ainda não é definitiva. O vice-presidente Mohammad Ali Abtahi disse que os ministros aguardam o resultado de uma reavaliação do Conselho dos Guardiães sobre as proibições para confirmar a sua saída.

Khatami

Abtahi declarou que até mesmo o presidente Khatami, que está fora do país participando do Fórum Econômico Mundial em Davos na Suíça, estaria disposto a renunciar. "Supostamente iremos todos juntos", disse o vice-presidente.

O partido de Khatami já havia ameaçado boicotar as eleições legislativas de 20 de fevereiro se o Conselho não voltasse atrás.

Na segunda-feira, o Conselho recuou parcialmente, autorizando cerca de 200 candidaturas que haviam sido barradas.

Deputados reformistas também têm realizado protestos no Parlamento há semanas.

O Conselho dos Guardiães impugnou a candidatura de 3.600 dos 8,157 inscritos para as eleições. Entre os impedidos, estão 80 deputados reformistas que buscam a reeleição.

Os conservadores do Conselho argumentam que os candidatos foram barrados da disputa porque não respeitam o islamismo e o caráter islâmico da Constituição do Irã.

O líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, pediu na semana passada ao Conselho que revisse a sua decisão e sugeriu que interferiria pessoalmente no processo se a crise política não fosse solucionada.