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Lei contra símbolos religiosos na França pode proibir até barba

O ministro da Educação da França, Luc Ferry, afirmou que a proibição de símbolos religiosos em escolas públicas do país pode afetar também alunos que usem barba.

Segundo o ministro, a lei, que será discutida no Parlamento francês no próximo mês, poderá proibir ainda o uso de lenços, véus e bandanas se eles forem considerados um sinal de fé.

Mas Ferry disse que jovens de etnia sikh poderão cobrir suas cabeças se forem discretos.

A proposta, que tem o apoio do presidente Jacques Chirac, é baseada no princípio de que o Estado na França é leigo e separado de todas as religiões.

Definição ampla

Falando em uma audiência de discusão do projeto de lei na Assembléia Nacional, Ferry afirmou que a definição de "símbolo religioso" é ampla para que os jovens não tentem burlar a lei ao usar itens não imediatamente relacionados à religião.

Um exemplo disso é o fato de garotas muçulmanas substituírem o tradicional véu por bandanas.

Quando questionado sobre a barba, que é tradicionalmente usada por muitos muçulmanos, Ferry respondeu: "Se ela se tornar um símbolo religioso, ela também vai estar contradizendo a lei".

Pela proposta original, símbolos discretos como pequenos crucifixos e estrelas de Davi usados como pingentes seriam permitidos.

Ferry reconheceu que os jovens sikhs não podem cortar seus cabelos e, por isso, poderiam usar bonés.

Críticas

Deputados socialistas, contrários à medida, afirmam que as propostas são pouco claras e enganosas.

"Essa história está colocando uma cara engraçada a um assunto muito sério", disse o deputado Julien Dray.

Já o centrista François Bayrou afirmou que a proibição é "matéria-prima para os fundamentalistas", que poderão explorar a questão para realizar protestos.

No sábado, milhares de muçulmanos realizaram manifestações contra a nova lei em toda a França.

Muitos dos 5 milhões muçulmanos do país vêem a proposta como um ataque a seus direitos humanos e religiosos.

Mas a posição de Chirac reflete a da opinião pública da França, onde 70% dos eleitores afirmam apoiar a proibição.