Parte do dinheiro que desapareceu das contas da Parmalat pode ter passado pelo Brasil ou ainda estar no país. A suspeita teria sido levantada pelo ex-contador da holding italiana – Gianfranco Bocchi, em depoimento ao magistrato Francesco Greco, da procuradoria de Milão, segundo o jornal italiano La Repubblica.
Trechos do interrogatório de Bocchi, que depôs no dia 14, foram publicados na edição desta segunda pelo La Repubblica sob o título Caça ao tesouro da Parmalat: Procurem no Brasil, diz Bocchi.
"Não posso dar certeza, mas uma pista. Se fosse vocês, procuraria bem em duas sociedades: a Carital Brasil e a Winshaw. Não sei muito, mas com certeza era lá que acabava um monte de dinheiro”, teria dito o ex-contador da empresa italiana.
Ainda segundo o La Repubblica, no depoimento, Bocchi afirmou que a Carital era usada para atividades sem importância, mas que – a um certo ponto –que ele não se recorda exatamente quando – começou a receber grande quantidade de dinheiro.
A Carital Brasil pertenceu à Parmalat até 1999. Depois disso, a empresa continuou representando os interesses da empresa italiana na área esportiva e comprou várias empresas da própria Parmalat do Brasil.
Segundo Bocchi, as operações eram totalmente realizadas e coordenadas por "Fausto Tonna e por Montero"- a quem o La Repubblica qualificou de "diretor-geral para o Brasil". O objetivo, segundo o texto depositado na procuradoria de Milão e transcrito pelo "Repubblica", seria o de "anular uma série de dívidas do grupo no Brasil e desvalorizar parte do superávit".
Gianfranco Bocchi e Fausto Tonna, acompanhados por juízes, retornaram hoje à sede central da holding em Collecchio-Parma, para ajudar na busca de dados e informações que possam esclarecer como o grupo italiano chegou a apresentar um rombo de mais de 10 bilhões de euros.
A BBC Brasil tentou entrar em contato com a Carital Brasil e com o seu diretor Francisco Mungioli, mas não foi atendida.