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Ataques complicam plano dos EUA de retorno da ONU ao Iraque

O ataque a bomba em Bagdá neste domingo torna a tentativa dos Estados Unidos de pedir o retorno da ONU (Organização das Nações Unidas) ao Iraque ainda mais difícil.

É possível que o ataque - que aconteceu um dia antes do encontro em Nova York entre o administrador americano do Iraque, Paul Bremer, e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan - tenha sido planejado para tentar impedir que a ONU assuma um papel mais significativo no Iraque.

O incidente lembra o mundo todo que a resistência no país continua.

O quartel-general da ONU em Bagdá foi atacado em agosto do ano passado. O ataque matou o brasileiro Sergio Vieira de Mello, representante especial da ONU no Iraque, e a Organização retirou grande parte de seus funcionários do país.

Pedido por intervenção

O encontro desta segunda-feira, que também envolverá uma delegação do Conselho de Governo do Iraque, pedirá que Annan interfira na crise causada pela insistência do principal líder xiita do país, o grão-aiatolá Ali al-Sistani, que exige eleições antes da transição de poder em junho.

Um oficial britânico disse recentemente em Londres que eles gostariam que Annan informasse o aiatolá que, sob o ponto de vista da ONU, eleições não são possíveis devido ao curto prazo e que o plano adotado pelos Estados Unidos é o melhor caminho.

Eles também pedirão que a ONU envie uma equipe ao Iraque para fazer sua própria avaliação. Uma carta que Annan teria mandado para o aiatolá não surtiu efeito.

Mas o oficial britânico duvida que Annan aceitará expandir o papel atual da ONU no Iraque: "Koffi Annan quer falar sobre o papel que a ONU terá após o dia 30 de junho. Eu não tenho certeza se a ONU aceitará qualquer outra função antes disso", disse ele.

Outra proposta americana é que a ONU deveria considerar mandar o consultor especial para o Iraque, Lakhdar Brahimi - ex-representante da ONU no Afeganistão - como um novo representante especial da ONU no país.

O ataque deste domingo torna esta última opção ainda mais improvável. A segurança é um dos grandes problemas, e a ONU não aguentaria outro ataque fatal.

Questão curda

Outro problema para a coalizão está crescendo no norte do Iraque. Os curdos querem que a cidade de Kirkuk seja anexada a sua região autônoma.

Segundo o jornal Washington Post, o líder do Partido Democrático do Curdistão, Massoud Barzani, disse que os curdos querem a extensão da região e que os iraquianos que se estabeleceram em Kirkuk durante o governo de Saddam Hussein deveriam ser expulsos.

O oficial britânico disse que os curdos "entendem" que eles terão "espaço para respirar como uma população distinta no Iraque, tendo um governo regional e assembléia, mas que a região curda não será geograficamente baseada em uma divisão étnica". Isso implica em uma rejeição do pedido curdo de expansão.

O plano das forças de coalizão e do Conselho de Governo do Iraque não consideram eleições gerais no país até o próximo ano.