Soldados japoneses chegaram ao Golfo Pérsico, a caminho de uma polêmica missão no Iraque.
É a primeira vez que militares japoneses são enviados a uma zona de combate desde a Segunda Guerra Mundial.
Cerca de 30 soldados chegaram ao Kuwait neste sábado. Em março outros mil soldados japoneses devem chegar à região.
A constituição do Japão proíbe seus militares de se envolverem em guerras no exterior e há temores de que as tropas sejam levadas a participar de combates.
Ajuda humanitária
Os soldados receberão treinamento no Kuwait, onde uma equipe de 20 militares da aeronáutica japonesa está se preparando para recebê-los há um mês.
Mais tarde, eles serão levados para a cidade de Samawah, no sul do Iraque - onde não tem havido conflitos - para ajudar a restabelecer serviços de fornecimento de água, prestar ajuda humanitária e colaborar na reconstrução de escolas.
A missão provocou temores de ataques terroristas. Cerca de cem manifestantes protestaram em frente ao ministério da Defesa em Tóquio, durante o embarque dos militares.
Pesquisas mostram que dois terços dos japoneses são contra o envio de militares ao Iraque. Os críticos dizem que a medida viola a constituição pós-guerra, na qual o Japão renunciou a guerras para sempre.
Uma suposta ameaça da organização Al-Qaeda endereçada ao Japão, divulgada em uma reportagem publicada por um jornal de língua árabe no fim do ano passado, aumentou as preocupações quanto à segurança desta operação no Iraque.
O correspondente da BBC no Japão, Jonathan Head, afirma que a decisão de enviar tropas parece irreversível.
As atenções se voltaram agora para uma revisão da constituição, para permitir que no futuro o Japão contribua mais facilmente com operações militares multinacionais.