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Passeata contra os EUA reúne milhares no Iraque

Dezenas de milhares de iraquianos xiitas participaram nesta quinta-feira de uma passeata na cidade de Basra, no sul do Iraque, contra os planos dos Estados Unidos para a transição do poder no país.

O protesto, que terminou sem incidentes de violência em frente à principal mesquita de Basra, pedia ainda eleições diretas para o novo governo, ao contrário do que estipula o plano americano.

A correspondente da BBC Dumeetha Luthra ressaltou, no entanto, que a manifestação foi também uma exibição do poder de mobilização dos xiitas.

Ainda assim, o administrador dos Estados Unidos para o Iraque, Paul Bremer, afirmou que eleições não são uma possibilidade prática neste momento.

O chefe do Conselho de Governo do Iraque, Adnan Pachachi, acrescentou que, caso não se chegue a um acordo sobre a forma de governo, a ocupação americana pode continuar por mais dois anos.

O protesto em Basra foi organizado por clérigos de Basra, e o principal líder xiita, Aiatolá Ali el-Sistani, reivindicou que o novo governo seja escolhido por meio de eleições e não indiretamente.

Analistas dizem que as objeções xiitas estão complicando os planos americanos de devolver o poder no Iraque a um governo escolhido até meados deste ano.

'Não aos EUA'

Manifestantes exibindo cartazes se dirigiram à área situada ao redor da principal mesquita de Basra cantando: "Não, não aos Estados Unidos. Sim, sim ao (Aiatolá) Sistani."

Integrantes da milícia armada xiita foram vistos no local, mas as forças armadas britânicas, que controlam o sul do Iraque mantiveram uma presença mais discreta.

A controvérsia surgiu por causa do acordo assinado em 15 de novembro pelo administrador do país, Paul Bremer, e pelo Conselho de Governo do Iraque, que define o processo de devolução do poder aos iraquianos.

O documento estabelece a data de 30 de junho de 2004 como limite final para a transição de poder.

Mina

Em um episódio isolado, um ônibus foi atingido por uma mina em uma estrada, nas proximidades de Tikrit, a cidade natal de Saddam Hussein, matando três pessoas e ferindo pelo menos uma.

Um porta-voz militar americano classificou o incidente como "um ataque covarde que tirou vidas de civis inocentes".

Segundo o americano, as vítimas eram, provavelmente, estudantes, já que o ônibus estava a caminho da universidade.