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Xiita faz alerta aos EUA sobre transição no Iraque

Um dos principais líderes xiitas do Iraque, Hojat Al-Islam Ali Abdulhakim Alsafi, enviou uma carta ao presidente americano, George W. Bush, e ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, questionando a sinceridade de ambos na questão da transição do poder no país.

Na carta, ele diz que o atual plano político tem mais a ver com o calendário eleitoral dos Estados Unidos do que com os interesses iraquianos.

Alsafi aproveitou para fazer um alerta sobre as conseqüências que ignorar as exigências dos iraquianos pode acarretar.

O alerta foi feito horas depois de dezenas de milhares de iraquianos xiitas participarem de uma passeata na cidade de Basra, no sul do Iraque, contra esses planos dos Estados Unidos.

O protesto, que terminou sem incidentes de violência em frente à principal mesquita de Basra, pedia ainda eleições diretas para o novo governo, ao contrário do que estipula o plano americano.

Mobilização

A correspondente da BBC Dumeetha Luthra ressaltou, no entanto, que a manifestação foi também uma exibição do poder de mobilização dos xiitas.

Ainda assim, o administrador dos Estados Unidos para o Iraque, Paul Bremer, afirmou que eleições não são uma possibilidade prática neste momento.

O chefe do Conselho de Governo do Iraque, Adnan Pachachi, acrescentou que, caso não se chegue a um acordo sobre a forma de governo, a ocupação americana pode continuar por mais dois anos.

O protesto em Basra foi organizado por clérigos de Basra, e o principal líder xiita, Aiatolá Ali el-Sistani, reivindicou que o novo governo seja escolhido por meio de eleições e não indiretamente.

'Não aos EUA'

Analistas dizem que as objeções xiitas estão complicando os planos americanos de devolver o poder no Iraque a um governo escolhido até meados deste ano.

Manifestantes exibindo cartazes se dirigiram à área situada ao redor da principal mesquita de Basra cantando: "Não, não aos Estados Unidos. Sim, sim ao (Aiatolá) Sistani."

Integrantes da milícia armada xiita foram vistos no local, mas as forças armadas britânicas, que controlam o sul do Iraque mantiveram uma presença mais discreta.

A controvérsia surgiu por causa do acordo assinado em 15 de novembro pelo administrador do país, Paul Bremer, e pelo Conselho de Governo do Iraque, que define o processo de devolução do poder aos iraquianos.

Mina

O documento estabelece a data de 30 de junho de 2004 como limite final para a transição de poder.

Em um episódio isolado, um ônibus foi atingido por uma mina em uma estrada, nas proximidades de Tikrit, a cidade natal de Saddam Hussein, matando três pessoas e ferindo pelo menos uma.

Um porta-voz militar americano classificou o incidente como "um ataque covarde que tirou vidas de civis inocentes".

Segundo o americano, as vítimas eram, provavelmente, estudantes, já que o ônibus estava a caminho da universidade.