O presidente do Irã, Mohammad Khatami, afirmou que seu governo vai "renunciar unido" se não for suspensa uma proibição à candidatura de reformistas nas eleições que ocorrem em fevereiro.
Khatami qualificou a sanção como influenciada em um discurso descrito como o mais duro até o momento pelo correspondete da BBC em Teerã, Jim Muir.
Mas o presidente afirmou também que tem esperanças de que as negociações vão resolver a crise.
O Conselho dos Guardiões, um órgão conservador que define quem pode concorrer às eleições, está analisando os recursos contra o seu próprio veto a mais de 3 mil pré-candidatos.
Destes, cerca de 80 já fazem parte do Parlamento.
Entre os candidatos desqualificados está Mohammed Reza Khatami, irmão do presidente, líder do maior partido reformista do país e vice-presidente do parlamento.
O Conselho, estabelecido para assegurar que as decisões do Parlamento vão de acordo com os princípios islâmicos, afirma que não vai se render à pressão nas suas análises de apelações.
Em massa
Autoridades reformistas, como o vice-presidente Mohammad Sattarifar, já deixaram claro que vários ministros, deputados e conselheiros vão renunciar caso a proibição continue.
O presidente Khatami confirmou nesta terça-feira que seu governo vai abdicar em massa.
"Neste momento, minha missão histórica é evitar a tomada ilegal de vários cargos do poder", afirmou.
Mas ele também disse que "não está desesperado" e que serão obtidos resultados se se aderir aos padrões estabelecidos pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
O aiatolá disse que a controvérsia precisa ser resolvida por meios legais.
Isso significaria que as disputas devem continuar por mais de duas semanas, até que saia o resultado da reconsideração da decisão, diz o correspondente da BBC, Jim Muir.
A crise política começou no domingo, quando o Conselho dos Guardiões desqualificou centenas de candidatos reformistas.